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[RESENHA] Achados e Perdidos, de Brooke Davis


Ao longo de nossas vidas não é difícil nos vermos perdidos em alguns momentos, sem saber que rumo tomar, para onde ir, como agir e acabamos aceitando a inércia. Acomodamo-nos em deixar que a vida nos carregue e nos tornamos passivos. Mas sempre há alguém que nos diz alguma coisa, que nos acorda e nos faz seguir em frente. Pode ser alguém que já estivesse presente, alguém que vai ocupando seu espaço aos pouquinhos ou ainda alguém que chega de surpresa arrombando todas as nossas barreiras.

O livro de Brooke Davis apresenta todos esses tipos de "alguéns". Nele, conta a história de três personagens que se veem perdidos e são achados uns pelos outros. Millie Bird é uma menininha ruiva de 7 anos obcecada por coisas mortas e é a primeira personagem a ser apresentada. De início, achamos que Millie está em uma loja de departamento esperando sua mãe retornar de algum lugar em que teve que resolver alguma coisa.

Quando eu era pequena, minha mãe fazia muito isso. Como tinha que resolver mil coisas ao mesmo tempo, minha mãe arrastava eu e minha irmã para supermercados e pedia para que esperássemos por ela em algum lugar, enquanto ia buscar os produtos que precisava comprar. Por isso, de início, achei que Millie estivesse mesmo esperando sua mãe retornar de alguma sessão de produtos. Mas não demorou para que eu entendesse que, na verdade, a garotinha ruiva tinha sido abandonada à própria sorte.

"Ela gostava como as palavras às vezes se chocavam umas com as outras e noutras vezes deslizam uma do lado da outra, com enorme facilidade." (p. 100)

Millie, então, acaba invadindo a vida de Karl, um velho que roubou as teclas dos computadores da loja de departamento e que vive digitando no ar. Karl vive o luto eterno de sua falecida esposa, Evie. Eles eram um tipo de casal sem grandes características e que viviam dentro da sua zona de conforto. Mas ao perdê-la, Karl começa a se perguntar como teria sido sua vida se tivesse agido mais e, ao conhecer a Millie, ganha energia, coragem e determinação extra. Karl foi com certeza o personagem que mais me conquistou, principalmente por ser um personagem cujas passagens apresentam muitas referências textuais e recursos linguísticos.
"Ele havia se tornado vazio, mas sem aquela expectativa das coisas vazias, de uma página ou de uma tela em branco; não havia a esperança, o medo ou o maravilhamento que o vazio às vezes pode gerar. Havia apenas o nada. No mundo da pontuação ele podia bem ser um hífen - flutuando entre uma coisa e outra, não exatamente necessário." (p. 86)

Por sua vez, Karl e Millie vão conquistando aos pouquinhos o coração de pedra de Agatha Pantha. Uma senhora de idade amargurada, que vive berrando para os quatro ventos os defeitos de todos que passam por ela. Agatha, ao ver Millie abandonada, decide que é seu dever levá-la até onde sua mãe se encontra. Assim, os três acabam em uma jornada pela Autrália, que no fundo o leitor sabe desde o início como terminará essa viagem.
Achados e perdidos é um livro e delicadamente triste, que aborda assuntos como abandono e a morte que nos fazem refletir sobre nossas próprias vidas. Os personagens de Brooke me conquistaram e seu agradecimento ao final da obra foi um dos melhores que já li. Deu para perceber que a autora deixa passar por sua escrita muito da sua personalidade.

CONVERSATION

2 comentários:

  1. Que livro fofinho! Apesar de triste, acho que livros assim são bons para nos fazer pensar em muita coisa que acontecem na vida. Gostei...

    Beijos,
    Postando Trechos

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    Respostas
    1. Também acho! Adoro livros que me deixam reflexiva durante a leitura ou no final :)

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