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[RESENHA] O Pintor de Memórias, de Gwendolyn Womack



Já imaginou se fosse possível acessar memórias tão antigas que chegaríamos a lembrar de vidas passadas? Pois é, a Gwendolyn já. Em O Pintor de Memórias, cientistas criaram uma droga chamada Renovo, na tentativa de reverter o Alzheimer, a qual mostrou ter um potencial que vai além de evitar a doença quando usada por pessoas com um cérebro saudável.

"Era estranho como as memórias também tinham uma fragrância." (p. 65)

Isso tudo vamos descobrir por meio de Bryan Pierce, um pintor que tem fortes enxaquecas, seguidas de sonhos muito realísticos que acabam despertando um conhecimento que não sabia possuir. Por exemplo, após sonhar que é um padre da Grécia antiga, descobre que sabe falar, ler e entender grego fluentemente. Esses sonhos o tormentam desde pequeno e provocaram muitas indas e vindas de consultas e hospitais psiquiatros. São imagens tão reais que, em certo momento, Brian passa a acreditar que se trata de memórias de vidas passadas - as quais acabam retratadas em suas pinturas.

Um desses sonhos mostra lembranças da vida de Michael Backer, o líder da pesquisa com a qual a droga Renovo foi desenvolvida. Michael, ao ver os resultados tão positivos em seus pacientes, resolve testá-la nele mesmo. A partir de então, passa a ser atormentado por suas vidas anteriores, fazendo com que o resto da equipe - incluindo sua mulher, Diana - fique tentada a experimentar a droga.



Diana era a paixão da vida de Michael, por isso Bryan, ao esbarrar na rua com uma mulher muito parecida com a esposa do pesquisador, passa a ficar obcecado pela jovem. Linz é uma jovem excêntrica, fissurada por ciência, quebra-cabeças, música clássica e que gosta de viver dentro da sua zona de conforto. No entanto, ao visitar uma exposição produzida por seus dois melhores amigos, da época da faculdade, Linz acaba se deparando com uma pintura que retrata uma cena de um pesadelo recorrente de quando era criança.

Com esta proposta tão diferente e uma capa maravilhosa, eu criei muitas expectativas para a história de O Pintor de Memórias. Expectativas essas que acabaram frustradas logo nas primeiras páginas. Não sei se foi um problema de tradução, um problema de edição ou se a escrita da autora é realmente do jeito que a versão brasileira apresenta. A única coisa que eu sei é que achei a escrita muito travadona, com pouca fluidez. Fato que prejudicou e muito o ritmo da minha leitura.

"Entre o começo e o fim, esta vida é apenas o momento." (p. 112)

Em contrapartida, um lado muito positivo do livro é que os sonhos/memórias vão contar ao leitor histórias de personagens reais, de diferentes lugares e culturas. Indo desde a cultura da região de Boston, da maior potência mundial, a lugares remotos como Groelândia e tribos indígenas. Outro ponto positivo é o mistério que autora traz para narrativa ao insinuar que todas as vidas passadas têm um fio condutor. Este foi o principal motivo de eu ter insistido em terminar a leitura e, apesar de não ter sido um dos melhores livros que li este ano, acabou valendo a pena conhecer.

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