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[RESENHA] OUTLANDER: Os Tambores do Outono - pt 1



Depois de quatro livros super gigantes - com mais de 600 páginas cada - é normal você esperar que a partir do quinto a autora perca o "fôlego". Só que, aparentemente, Diana Gabaldon tem muito fôlego de sobra para te deixar ainda presa à história de Outlander, mesmo no quarto livro e contando. A história desta série foi publicada pela primeira vez em 1991 e agora está sendo relançada, depois de muitos anos esgotada nas livrarias, pela Editora Arqueiro. Os Tambores do Outono é o quarto livro da série, que aqui no Brasil foi dividido em duas partes, caso contrário teríamos livros de mais de 1000 páginas cada! Para conhecer o início desta história, veja a resenha de Outlander - A Viajante no Tempo.

Na primeira parte do quarto livro da série, Claire, Jamie, e o pequeno Ian (que já não é mais pequeno) estão vivendo no Novo Mundo, a colônia inglesa que veio a se transformar nos EUA, uma das maiores potências mundiais. Neste livro, Jamie vive um grande impasse, viver à sombra de parentes cuidando de terras que não lhe pertencem ou fazer um acordo com um dos políticos locais para conseguir terras, entre tribos indígenas rivais, que podem colocar o escocês em grandes intrigas políticas e culturais.

Desde a primeira história, Claire não se mostrou, para mim, uma personagem muito presente. Constantemente, ao longo desses quatro livros, pegava-me com a sensação de que a protagonista estava ali apenas para nos passar toda a sua visão dos valores de Jamie, como ele agia, pensava, sofria.  Quase como uma personagem passiva que só em algumas cenas se mostrava mais ativa. Em Os Tambores do Outono, Claire se mostrou mais passiva do que o normal, passando todo o livro amedrontada - na verdade, acho que está mais para apavorada - com a ideia de que Jamie poderia morrer em qualquer momento. Tiveram cenas que eu realmente queria virar para ela e falar "Claire, querida, senta aqui e vamos conversar sobre essas paranoias que você anda tendo. Que tal se tratar, hum?"

"(...) Roger pensou que talvez não importasse o fato de eles estarem voltados para direções opostas desde que olhassem um para o outro." (p. 104)

Graças a uma boa autora e, imagino, grandes editores, neste livro temos capítulos intercalados entre a época de Claire e Jamie (1767) e a época em que Brianna e Robert vivem (1969), assim podemos dar uma respirada do medo constante de alguma tragédia próxima. Enquanto seus pais tentam seguir a vida na colônia, Brianna tenta, 200 anos na frente, a se acostumar com a sua vida sem a presença de sua mãe e sem saber se ela está viva, se está feliz, se está triste, se está morta. É vendo a frustração da jovem que Robert resolve ajudá-la a investigar como seus pais estariam vivendo 200 anos atrás.

Robert me decepcionou muito durante este livro, esperava um personagem mais marcante, com mais atitude, mas na verdade é um personagem que joga na defensiva, abrindo-se somente quando se vê sem saída. Estou esperando ansiosamente que no próximo livro ele pague pela uma atitude muito ingrata que teve no final da primeira parte de Os Tambores do Outono. Estou com sede de vingança.

Apesar de este quarto livro não ter sido, obviamente, a melhor leitura da série - tive algumas grandes decepções que me desanimaram um pouco -, adorei o fato da grande Diana ter descoberto uma forma de ainda conseguir trabalhar o ambiente histórico. A autora traz para debate assuntos ainda em alta, como o absurdo da escravidão, do preconceito racial, da opressão sobre os indígenas. E mesmo sendo uma leitura morna, o final deste livro deixa uma grande tensão no ar, o que faz com seus dedos cocem para começar logo o a segunda parte do livro. Ótima estratégia, Diana. Ótima estratégia.



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