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[RESENHA] Bunker: Diário da Agonia, de Kevin Brooks


Linus é um adolescente de 16 anos que vive nas ruas de Londres tentando ganhar a vida como dá. Ao tentar ajudar um cego a colocar uma mala dentro de uma van acaba sendo sequestrado e largado dentro de uma espécie de porão, cujas paredes produzem um ruído constante e no qual há apenas 6 quartos, 6 pratos, 6 talheres, 1 banheiro, 1 cozinha e 1 elevador. Sem comida, sem roupas, sem nenhuma maneira de escapar. E, claro, repleto de câmeras e microfones por todas as partes - inclusive no banheiro.


O elevador funciona em horários específicos e é o meio pelo qual Linus conseguirá comida, entre outros acessórios. Além disso, volta e meia acaba surgindo alguém novo desnorteado dentro do elevador. Esse detalhe me lembrou muito da Caixa de Maze Runner, que também é um elevador responsável por levar comida, remédios, entre outras coisas para os habitantes da Clareira. Mas essa semelhança começa e para aí.

Linus mantém um diário com o qual vai nos narrando seu dia a dia naquele porão e a chegada dos outros habitantes. A primeira a descer, depois de Linus, é Jenny, uma menininha de 9 anos confusa, assustada e muito inteligente - é ela a responsável em descobrir como pedir comida, objetos e acessórios para quem quer que os tenha largado naquele lugar. A ligação entre ela e o Linus é automática e os dois desenvolvem uma intimidade e confiança de irmãos.


"Nenhuma janela ou vista, nenhum céu ou som. Só a escuridão densa e aquele irritante zumbido baixinho das paredes. Eu me sentia um nada. Existindo em nada." (p. 11)

Anja (leia-se Ania) e Fred sãos o terceiro e quarto membros do lugar. Anja é uma mulher mesquinha, egoísta que eu não consegui desenvolver nenhum tipo de empatia, já que ela manteve-se distante de todos os outros habitantes. Fred é um cara grande e forte, além de viciado em heroína e alcoólatra, mas uma pessoa com um bom coração que vai ser sempre o primeiro a agir para defender seus vizinhos. O quinto membro do grupo, Bird, é um personagem que eu quis estrangular desde a sua primeira aparição, a chegada dele começa a perturbar a "paz" do lugar. Ele automaticamente faz um retrocesso na atitude da Anja e passa a provocar os nervos de todos os outros habitantes.

Com a chegada do sexto membro, um senhor de idade chamado Russel que é filósofo, negro, gay e caolho (isso é sério, gente. Aí você só começa a imaginar a vida desgraçada que o Russel deve ter tido), descobrimos que o lugar é, na verdade, um bunker (um anexo fortificado feito de concreto e à prova de projéteis construídos durante a Segunda Guerra Mundial) e Linus começa a tentar encontrar alguma semelhança entre todos eles para tentar adivinhar o que "O Homem Lá de Cima" pretende deixando-os presos. Mas não demora muito para que perceba que não há nenhuma características entre os habitantes que mostre alguma justificativa para os 6 terem sido sequestrados e trancafiados no bunker. E vão se preparando, caros leitores, que essa não vai ser a única ponta solta na história.


"O engraçado é que, quanto mais eu sinto pena de mim mesmo, menos perigoso isso tudo parece. Sim, é uma droga. É injusto. É inacreditável. É insuportável... Bem, não, não é insuportável. Nada é insuportável. Insuportável significa algo que você não é capaz de aguentar. Algo que mata você. Se não mata, então você aguenta. Não é assim? Não pode ser insuportável. Enquanto eu estiver vivo, estou suportando isso. E, mesmo que isso me mate, pouco vai me importar. Vou estar morto mesmo. Não vai haver mais nada para aguentar. A menos, é claro, que exista mesmo um lugar chamado inferno." (p. 149)

Bunker: Diário da Agonia é um livro muito angustiante, daqueles que muitas perguntas ficam sem respostas à la série Lost, que nos faz refletir sobre a nossa convivência em sociedade, fazendo com que nos perguntemos até que ponto influenciamos uns aos outros e até que ponto conseguimos manter nossos ideais e morais quando somos levados ao extremo (passando fome, vivendo no lixo e presenciando violência gratuita). Este definitivamente não é um livro para você, que gosta de histórias redondinhas com todas as pontas bem amarradas. Fuja dele. Este é um livro para você aí que gosta de imaginar as justificativas para todas as questões deixadas em aberto e que não se incomoda em terminar um livro se perguntando "Cadê a continuação?". Até porque não tem mesmo uma continuação.

Apesar de ter curtido muito a história de Kevin Brooks (devorei todas as páginas em apenas um dia), os personagens não me conquistaram tanto e quando as desgraças começam a acontecer no Bunker foi bem difícil me solidarizar com eles. Os 6 se reúnem vendo que pensando juntos é a única maneira de encontrarem uma saída daquele lugar horrível. Mas quando começam a colocar os planos em prática, o sequestrador começa a dar o troco privando-os de comida e fazendo joguinhos com suas mentes. Já Linus foi um personagem que me deixou muito na dúvida, ele algumas vezes mostrou uma mentalidade compatível para um garoto de 16 anos, mas a maioria das vezes ele agia como um cara bem mais velho e até agora não consegui decidir se ele é realmente um personagem convincente ou um pouco forçado, a personalidade que Kevin Brooks deu a ele ficou bem em cima do muro.

CONVERSATION

29 comentários:

  1. Olá. Então eu nunca ouvi falar desse livro,mas a premissa é interessante. É legal quando o livro questiona nossos valores e nos faz refletir sobre a nossa convivência. Vejo que alguns aspectos fizeram vc não curtir o livro, como algumas perguntas terem ficados sem resposta, além de não ter se conectado com alguns personagens e, isso é realmente desanimador. Não sei se no momento leria esse livro, mas quem sabe mais p frente?
    Amei sua resenha.
    Beijos!
    www.anebee.com.br

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    1. Marina, o livro é muito, muito bom! Mas, como o título já diz, é muito angustiante. Os personagens não são simpáticos, daqueles que de cara você já se afeiçoa, e como o livro não é grande eu senti falta de alguma coisa que me fizesse me identificar com eles. Alguns eu consegui me identificar mais, porém outros foi bem difícil me sentir mal com as coisas ruins que aconteciam com eles. Mas é um livro que traz muitas reflexões e que vale a pena ser lido (sem falar que a escrita é super leve).

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  2. Nossa, eu preciso muito ler esse livro, e estou me perguntando como ainda não havia lido nada a respeito. A trama parece mesmo ser bem agoniante e repleta de questionamentos. Só por sua resenha, já fiquei me perguntando várias coisas, então imagino como seria durante a leitura. Gosto de histórias que mexem com nosso psicológico sabe, principalmente porque sempre é possível encontrar mensagens nas entrelinhas. Pena que os personagens não lhe conquistaram tanto, mas acredito que o enredo valha a pena. De qualquer maneira, fiquei bem curiosa, obrigada por essa dica valiosa ;) Beijos, Fê

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    1. Vale muito a pena! Acho que as questões dos personagens foi mais uma forma do autor te fazer pensar, sabe? Tipo, você ajudaria alguém que você não gosta e está entre a vida e a morte? O autor brinca muito com os valores de cada um (e com o psicológico de cada um também, com certeza).

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  3. Oi!
    Eu conhecia esse livro somente pela capa e nem me passou pala cabeça que essa pudesse ser a história que ele traz.Parece bem louca mas extremamente interessante,apesar dessas várias pontas soltas me deixarem com um pé atrás,creio que me deixariam bem frustrada haha.
    Ademais,adorei sua resenha e o seu modo de escrever.
    Beijos!

    www.porlivrosincriveis.blogspot.com.br

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    1. As ponta soltas são pontas soltas propositais, para fazer você pensar e refletir. Mas quis ressaltar esse lado do livro porque muita gente não gosta de livro assim, né. Eu gosto, quando feito de propósito e não sem querer, e dá para reparar muito bem quando um livro foi pensado para deixar essas pontas e quando o autor simplesmente se esquece de um detalhe ou outro.

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  4. Oii, tudo bem?
    Eu já tinha visto esse livro antes, e confesso que tinha adorado a premissa. Porém, depois de ler a sua resenha eu fiquei com um pé atrás, parece que os personagens não são convincentes, eu vou ser sincera, eu não gosto de finais em aberto.

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    1. O único personagem que fiquei meio em cima do muro sem saber se é convincente mesmo é o principal, por causa da idade dele. Acho que se no livro ele tivesse uns 17, 18 anos (e não 16) ele ia me convencer mais. Tem muitas partes que ele age como uma confiança, uma determinação e maturidade que não são normais para garotos de 16 anos. Mas o resto a identificação não rolou porque são personagens para não serem simpáticos. Pensa só, é um bando de gente aleatória que ninguém tem nada a ver com ninguém. E como o livro é narrado pelo personagem principal por meio de um livro é fato que ele vai falar com mais carinho daqueles que ele se identifica mais (da Jenny, por exemplo) e com mais distância daqueles que ele não se identifica tanto.

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  5. Não conhecia o livro, mas o começo me lembrou de Maze Runner também, mas ao ler sua resenha vi que é bem diferente. Apesar de você ter dito que há umas perguntas sem respostas e que você não se solidarizou com os personagens, continuo com vontade de ler o livro. Recentemente vi "O quarto de Jack" e é sobre pessoas que ficam encarceradas e fiquei bastante interessada no tema. Assim que tiver a oportunidade, irei ler!

    Virando Amor

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    1. Carol, o livro é muito bom, as perguntas sem respostas são propositais pra fazer você refletir sobre algumas questões. E quero muito ver O Quarto de Jack! Mas antes vou ler o livro :0)

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  6. Olár
    A ideia do livro não me agradou mt, parece o tipo de livro que faz você quebrar um pouco a cabeça e dos que chega a ser cansativo. Tô tentando ler mais uns romancinhos água com açúcar pra descansar a mente. Espero que eles tenham descoberto o motivo de estarem ali kkk
    Beijos!

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    1. Realmente, Gisele, é um livro que faz você refletir muito! hahah Se tiver com cabeça quente ou numa fase mais sobrecarregada o livro pode se tornar um pouco pesado, é melhor deixar pra ler quando tiver com a cabeça leve e tranquila :)

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  7. Olá, eu não conhecia o livro e pela capa eu já não me interessei por ele. MAs como não gosto de julgar livros pela capa li a resenha de boa pra saber o que acahria da história e, sinceramente, não me atraiu. Nâo consegui gostar da premissa e da proposta do livro e ainda mais ao saber que o livro termina e a gente fica tipo hã? não gosto de livros que terminam sem responder as perguntas, a não ser que seja um livro filosófico ou que ao menos passe essa ideia de perguntas reflexivas no decorrer da leitura

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    1. Bia, mas o livro é exatamente isso. As perguntas sem respostas é pra fazer o leitor refletir. Mas ressaltei essa lado do livro na resenha, porque eu sei que tem muito leitor por aí que fica incomodado quando lê livros que não tem um final redondinho. Foi só por isso, mas o livro é muito bom e vale muito a pena!

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  8. Oie, ainda não conhecia o livro e não lembro de já ter ouvido falar no autor, mas amei a premissa. Achei bem interessante essa coisa de você ter devorado o livro em um dia, mas não ter se conectado com os personagens. Já aconteceu comigo, acho que em função da escrita boa e fluida, e não porque os personagens mereciam nosso amor... rs
    Amei a resenha.
    MEU AMOR PELOS LIVROS
    Beijos

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    1. Sim, Ivi! É bem estranho mesmo, a narrativa é bem leve, apesar do tema pesado, aí quando você vê você já passou da metade do livro! Mas acho que a parte da identificação dos personagens foi uma estratégia do autor, talvez quando você ler você vai entender o que eu to falando ;)

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  9. Impressionante a forma que tudo aconteceu, minha curiosidade bateu no por quê.
    Porque eles, e deve ser difícil ler um livro que a mentalidade e personalidade são forçadas, em um ponto me interessei pela estória em outro nem tanto, acho que agora estou procurando uma coisa mais simples de se lidar, meu pobre coração não aguenta mais fortes emoções, pelo meno por enquanto.

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  10. oi *--*

    Gostei bastante da premissa desse livro, parece ser bem agoniante. É estranho quando gostamos tanto da estórias mas os personagens são nos cativam, te entendo totalmente, fica naquela relação de amor e ódio.

    Bjos

    rillismo.blogspot.com.br

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  11. Oieee Babi,

    eu conheci esse livro no evento do pé na estrada com a V&R, e fiquei tensa com a historia, ainda mais com eles contando o enredo , dá uma angústia que só!!
    Eu adorei o enredo, achei bem criativo, com um que de suspense.
    Que pena que os personagens não te conquistaram, se você já achou obom o livro, imagina se tivesse gostado dos personagens!
    Eu gostei muito da capa, ele não diz nada assim, mas quando vocÊ pega, ele tem uma textura, achou muito legal!!!

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  12. Oiee ^^
    Ainda não conhecia esse livro, mas achei ele muito interessante, principalmente porque eu ainda não conhecia nenhuma outra obra com uma premissa parecida. Parece ser mesmo muito angustiante, principalmente porque o autor não amarra todas as pontas, como você disse, né?! Fiquei curiosa para ler, e gostei da capa dele também :)
    MilkMilks
    http://shakedepalavras.blogspot.com.br

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  13. Oieee não conhecia o livro...
    Ele pertence a um gênero que tenho negligenciado bastante nos últimos anos. Apesar de curtir trillers, não consigo me identificar facilmente com liros do gênero, e com esse aconteceu isso. Achei a história interessante mas não me fisgou, não fiquei querendo saber o que irá acontecer com os personagens, exceto pela garotinha, gostaria de conhecer sua história mais a fundo, fora isso não me interessei pelo livro.

    Abçs
    Sou bibliófila

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  14. Oie!
    Confesso que esse livro não me chamou a atenção, e vou deixar para uma outra hora. Livros assim me deixam agoniada, e eu não consigo terminar a leitura. E pelo que pude notar, vou acabar não gostando do final também :(
    Bjks!
    Histórias sem Fim

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  15. Oi
    Não conhecia o livro, mas gostei do estilo agoniante da narrativa.
    Fico imaginando se as personagens conseguiram sair e como foi a vivência.
    Me lembrou Lost mesmo. Pena que as personagens não agradaram.
    Gostei e anotei a dica. Espero gostar também.
    Beijinhos
    Rizia - Livroterapias

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  16. Oie!!
    ainda não conhecia o livro, mas fiquei muito interessada no enredo. A única coisa que me deixou meio com pé atrás é essa questão de ele deixar algumas pontas soltas, e não ter continuação. Não gosto muito de livros assim. Contudo Bunker: Diário da Agonia seria um livro que eu lerei fácil.
    bjs

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  17. Ola Babi confesso que o fato do livro deixar pontas soltas me irrita profundamente e por isso evito ler livros assim, eu fico com a sensação de que a leitura não foi completa. Dessa vez vou deixar passar a dica. beijos

    Joyce
    www.livrosencantos.com

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  18. Olá

    Não conhecia o livro e nem o autor. O livro parece bem intenso. Pena você não ter gostado tanto dos personagens, eu no seu lugar teria desanimado com o livro e desistido, mas a estória deve ser tão boa que não permitiu.

    Bjos

    Everton equipe Rillismo
    http://rillismo.blogspot.com.br/

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  19. Já tinha ouvido falar da obra mas não sabia do que se tratava e mesmo tendo gostado dessa premissa do pessoal num bunker e mostrar um pouco de construção de sociedade e afins eu fugiria da obra por conta dos furos, pois quando finalizo o livro tá ok, mas depois quando me lembro de detalhes da obra ao acaso não resolvidos eu fico muita puta, por exemplo a trilogia O Teste há mais de um ano e sempre fico com muita raiva em relação aos furos da trama até hoje!

    http://deiumjeito.blogspot.com.br/

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  20. Olá... tudo bem??
    Bom eu nunca tinha ouvido falar deste livro, mas conforme eu fui lendo a sua resenha, tive certeza de que não iria ler o livro e depois que foi falado o enredo, senti que não seria uma leitura com a qual eu faria... não curti muito o desenvolvimento da trama e nem da proposta da história.... infelizmente não seria uma leitura para mim... xero!!

    http://minhasescriturasdih.blogspot.com.br/

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  21. Desde que vi esse livro num vídeo da Pam Gonçalves, eu fiquei com vontade de ler, mas confesso que não sabia muito bem sobre o que se tratava a história kkk Agora creio que não lerei, não pelo fato de ter pontas soltas, não me importo tanto assim com isso, mas a história em si não me atraiu, eu imaginava algo diferente, enfim... belo post.
    Beijos!

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