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[RESENHA] Memórias de uma Gueixa, de Arthur Golden

Chiyo Sakamuto era uma menina de excêntricos olhos azuis acizentados que tentava ao máximo curtir sua infância na humilde aldeia de Yoroido, no Japão. Diziam que sua personalidade tinha muita água igual a de sua mãe, enquanto sua irmã, Satsu, tinha muita madeira, igual ao pai. Para Chiyo, seu pai sempre pareceu muito velho e seu rosto "parecia muito antes uma árvore com ninhos de pássaros em todos os ramos" de tantas rugas. E quando sua mãe ficou terrívelmente doente com o avanço do câncer ósseo, seu pai lhe pareceu definhar cada vez mais.

A história de Chiyo me conquistou em 2006, quando li a primeira edição do romance publicado pela Editora Imago. Sofri junto com Chiyo cada tragédia de sua vida. Desde quando ela e sua irmã são vendidas para okiyas (casas de gueixas) em Kioto e separadas de sua família, de sua casa bebâda (tão torta que parecia estar caíndo de bêbada) e delas mesmas; até o momento que abraça a vida de gueixa - e passa a se chamar Sayuri - como a única maneira de ter alguma dignidade na sua vida e conquistar sua grande paixão.


Nesse mês de junho, a Editora Arqueiro relançou esta linda história e eu não pude deixar de voltar a mergulhar nas memórias dessa magnífica japonesa. E que orgulho eu fiquei ao ver que muitos dos erros no texto da Ed. Imago foram corrigidos! Também entrei em choque, porque até há pouco tempo eu acreditava fielmente que se tratava de uma história real e por mais convincente que a narrativa seja, não passa de ficção retratando a vida real. Infelizmente, ainda devem existir muitas Chiyos e Sayuris por aí.

Após serem retiradas de sua familia, Chiyo e Satsu são submetidas a um exame físico e abusivo por uma velha que queria garantia que as crianças  os produtos comprados estavam "intactos". Chiyo, por causa de seus olhos, tem a "sorte" de ser enviada para um okiya interessado em educá-la como uma gueixa. Já sua irmã, podemos dizer que teve muito azar, pois foi vendida para o equivalente aos prostíbulos do centro do Rio de Janeiro.

"A dor é uma coisa muito esquisita; ficamos tão desamparados diante dela. É como uma janela que simplesmente se abre conforme seu próprio capricho. O aposento fica frio e nada podemos fazer senão tremer. Mas abre-se menos cada vez, e menos ainda. E um dia nos espantamos porque ela se foi" (p. 271)

Aqui no ocidente muitas vezes as gueixas são confundidas com prostitutas. No fundo, não deixa de ser a mesma coisa, mas na cultura japonesa gueixas são como celebridades cujo trabalho é entreter os homens - seja com histórias, conversas, canto, dança, servindo chá ou com sexo. Porém, caso o cara queira sexo ele vai precisar ter muito dinheiro no bolso para poder ganhar o direito de tempo exclusivo com a gueixa.

Apesar de Chiyo ter tido a sorte de um possível futuro melhor do que sua irmã, ela ainda teve que encarar a personalidade perversa da gueixa que banca o okiya onde mora, e uma das mais famosas da região. Hatsumomo é encarnação em pessoa do diabo, uma personagem traçoeira que não mede esforços nem consequências para atormentar aqueles que se metem em seu caminho. E a presença da beleza excêntrica da pequena Chiyo passa a ser uma ameaça ao seu posto de "gueixa-super-importante-que-banca-todo-o-okiya". Quando Hatsumomo encontra uma oportunidade de acabar com os ensinamentos de Chiyo e transformá-la em uma mera criada do okiya ela nem pestaneja.

"Um en é uma ligação cármica que dura uma vida inteira. Hoje em dia muitas pessoas parecem acreditar que suas vidas são totalmente questão de opções; mas em meu tempo nós nos víamos como peças de argila que mostram para sempre as impressões dos dedos de todos os que as tocaram." (p. 313)

Após alguns anos, Chiyo não vê mais esperanças para o seu futuro, mas ela acaba esbarrando com um homem muito elegante que interrompe o seu passeio para dizer paralvras gentis a uma mera menina com roupas camponesas. A partir deste encontro, Chiyo promete fazer de tudo para retomar seus estudos como gueixa e passa a ser obcecada por este homem - tudo que sabe sobre ele é que é o Presidente de uma grande empresa. E eu vou parando de falar por aqui antes que eu solte algum spoiler!

Memórias de uma Gueixa é um dos livros mais lindos que eu já li e com certeza um dos favoritos da vida! Pode ser que tenha gente por aí que conheça a história de Chiyo/Sayuri pelo filme dirigido por Rob Marshall (Chicago) e produzido pela companhia Steven Spielbereg, que venceu 3 Oscars em 2006 (Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia e Melhor Figurino). O filme também é fantástico, mas a narrativa de Arthur Golden me conquistou mais - tanto que durante 7 anos acreditei que fosse real. Quem ainda não conhece a história, corre que vale muito a pena!






CONVERSATION

15 comentários:

  1. ola babi!
    o livro tem muitas diferenças em relação ao filme? geralmente em adaptações rola uma licença poética forte.
    vi os vídeos da sua bookshelf esses dias, é surreal se tivesse uma dessas era adeus mundo kkkkkkk
    abraço

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    1. hahaha eu disse adeus para vida social :D

      Olha, o livro com certeza é muito mais profundo, fica dífícil adaptar alguns detalhes, mas o filme é muito bem feito e é fiel à essência da história!

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  2. Olá, quando eu vi esse livro me interessei muito por ele mas sabia que me emocionaria ao ler, agora vendo sua resenha percebi que estava certa, parece mesmo ser muito emocionante, conhecendo a história das gueixas eu fico receosa em ler e ser muito impactante pois parece ter um impacto forte, por isso ainda não li, mas quero muito

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  3. Oi, tudo bem?
    Eu já li Memórias de uma gueixa há muito tempo, com a outra edição ainda e é um dos meus livros favoritos. Que bom que gostou tanto também. Amei tudo nessa história e também já vi o filme. Todos deviam ler, muito bom. Adorei seu ponto de vista. Estou te seguindo.

    livrosvamosdevoralos.blogspot.com.br

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    1. Ebaaa! Eu nunca tinha conhecido alguém que também tinha lido o livro :)

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    2. Olá Babi, eu também li e está na minha lista de favoritos, foi uma leitura sensacional, preciso ver o filme apesar de saber que o livro é melhor tenho curiosidade.
      Super beijo
      Juliane

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  4. Olha eu nunca li esse livro, mas já ouvi gente falar muito bem do livro.
    Estou bastante interessada e espero poder ter a oportunidade de ler a obra assim que tiver
    oportunidade. Eu adorei tudo que você escreveu na sua resenha, até porque me chamou atenção e achei a capa do livro linda.

    http://lovereadmybooks.blogspot.com.br/2015/08/dia-de-quote-7.html

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  5. Oi linda, tudo bem?
    Nunca li esse livro e não me lembro se já vi o filme!
    Fiquei muito interessada por ele quando vi que seria relançado, já que todo mundo fala super bem sobre ele.
    Que bom que os erros da outra edição foram todos corrigidos! Essa capa nova também está linda.
    A história do livro parece ser bem interessante e emocionante e eu espero ler em breve!

    Beijos :*
    http://www.livrosesonhos.com/

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  6. Oiiiie
    Eu não conhecia o livro e nem o filme, pelo menos não estou lembrando.
    Adorei a premissa e mesmo não curtindo muito histórias ocidentais, essa chamou minha atenção.
    Vou ver se acho o livro em alguma promo

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  7. Já tinha ouvido falar do livro, mas nunca cheguei a ir atrás dele. Adorei o que você escreveu sobre!

    http://anneandcia.blogspot.com.br/

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  8. Oi Babi, tudo bom?
    Adorei a resenha. Nunca li o livro, mas sempre achei que a história fosse real. Fiquei bem espantada agora que sei que não é.
    Também não sabia da existência do filme, mas fiquei encantada só com o trailer.
    Beijos,
    http://www.entreleitores.com/

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  9. Eu sou apaixonada por esse livro, ainda não consegui garantir meu exemplar, mas é uma leitura que eu quero muito fazer!

    http://laoliphant.com.br/

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  10. Esse livro já está nos meus desejados a TANTO tempo que é uma vergonha eu ainda não ter comprado (mas queria com a capa antiga!). Já assisti ao filme e é um dos meus favoritos, amor demais <3. Sua resenha ficou ótima!!

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  11. Esse livro é lindo, assim como o filme <3 já assisti 10x e sempre me emociono!

    EntreLinhas Fantásticas

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    1. E tem como não se emocionar?! Sei lá, é bonito demais pra não achar bonito demais hahaha

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