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[RESENHA] As Espiãs do Dia D, de Ken Follett

Sabe aquele livro/ autor que você sempre teve curiosidade de ler mas a oportunidade nunca aparecia? Pois é, era exatamente isso que acontecia entre eu e o Ken Follett. Desde que o autor estorou com a trilogia O Século que venho me coçando de curiosidade para conhecê-lo. Finalmente, a oportunidade bateu na minha porta (e eu a-bri! Senhoras e Senhores põem a mão no chão... entendedores entenderão) e tive a oportunidade de ler um dos livros que com toda certeza vai para a minha lista de favoritos do ano!


Para quem ainda não conhece, Follett é um escritor -  e filósofo! - de thrillers que misturam História com ficção. No caso de As Espiãs do Dia D, o enredo (baseado em fatos reais) se passa durante a Segunda Guerra Mundial e gira em torno de Felicity Clairet, mais conhecida como Flick, major do Regimento de Enfermagem e Primeiros Socorros do Exército Britânico. Mas o que poucos sabem é que, na verdade, Flick é a famosa Leoparda, uma agente da Executiva de Operações Especiais - organização responsável por elaborar e por em ação planos de sabotagem contra o exército inimigo. No caso, a Alemanha Nazista.

O livro já começa no meio de uma missão que Felicity foi escalada para participar: atacar o castelo de Saint- Cécile, na França, onde opera uma importante central telefônica -  responsável pelo contato entre a França tomada e a Alemanha Nazista - e, também, é o local em que atua o quartel-general regional da Gestapo (a polícia secreta do Estado Nazista). Mesmo começando com esse clima mega tenso, Ken Follett ainda encontra uma maneira de ir passando informações extras sobre a passado e presente da vida de Flick.

"- Você levou uma bala na bunda - falou ela, em inglês.
- Está doendo pra burro - retrucou ele em francês" (p. 25)

Por exemplo, a Leoparda é casada com Michel, líder de uma célula da Resistência francesa chamada Bollinger. A Resistência era formada por cidadãos voluntários indignados com a ocupação nazista e prontos para lutar por um governo sem Hitler. Sendo assim, diante da tensão pré ataque à Saint-Cécile ainda há a apreensão de que Flick possa sair dalí viúva ou mesmo sem vida. Já adianto que a segunda opção não acontece apesar da missão se mostrar um verdeiro fracasso, reduzindo a célula Bollinger a quase nada. E isso NÃO É um spoiler!

Até porque é o ponta pé para o desenrolar do livro. Diante de uma missão fracassada, Flick começa a elaborar um segundo plano para destruir essa importante fonte de contato do governo nazista. Porém, o plano precisaria ter apenas agentes mulheres, o que para época seria um movimento bem ousado da parte do exército não só britânico como de qualquer outro país.

"- Sim, mas é importante. Quanto mais os jovens souberem das outras culturas, menores as chances de que eles sejam tão burros quanto nós fomos a ponto de se meterem numa guerra com os próprios vizinhos." (p. 228)

Pois é, queridos leitores. Além de saber misturar fatos históricos e ficção com maestria - Follett chega até mesmo mencionar o caso do Alan Turing retratado de forma espetacular no filme O Jogo da Imitação, o autor ainda consegue acrescentar uma crítica à sociedade machista da época, das quais algumas características se destacam até hoje. E não para por aí, diante de tantas cenas cheias de intrigas, espionagens, torturas, tensões, As Espiãs do Dia D ainda aborda o preconceito com homossexuais e transsexuais de forma tão natural e delicada (igual ao recente comercial de O Boticário) que chega ser difícil entender como ainda tem gente que simplesmente não aceita, nem ao menos tolera, opções sexuais que existem antes mesmo da bíblia ser inventada.

Como se não bastasse tudo isso, Follet ainda consegue colocar um triângulo amoroso (ou seria um quadrado amoroso?) no livro. Sim, romance! E um romance tão sóbrio e tão real que poderia acontecer com qualquer um de nós, sem aquelas declarações açúcaradas e utópicas. Esse jeito humanizado de retratar os personagens me conquistou ainda mais com o alemão Dieter, major subordinado diretamente ao general de Hitler, Erwin Rommel.

Dieter não é um simples inimigo malvadão. Ele é apenas um homem tentando ganhar reconhecimento em sua profissão, o que, infelizmente, significa torturar os inimigos de Hitler para conseguir informações e aniquilá-los. Porém, sempre que o alemão é obrigado a recorrer a esse tipo de estratégia, ele sofre fortes crises de enxaquecas por pensar que poderia estar tirando a vida de  pessoas que poderiam ser pais, mães, filhos de outras inocentes e precisa ser apagado com morfina para conseguir relaxar.

"Ninguém está certo o tempo todo, mas, numa guerra, quando um líder se engana, pessoas morrem" (p. 39)

O fato é que todos os personagens são muito bem construidos e consegui imaginar com tantos detalhes cada parte do livro que em determinado momento me peguei me perguntando "qual era mesmo aquele filme que eu tava vendo sobre a Segunda Guerra?". Então, não se supreendam se sair por aqui mais de um Personagens Literários de As Espiãs do Dia D. ♪ Se prepaaaarem, muahahaha ♪

Apesar do livro ter sido uma supresa muito, muito agradável, me sinto na obrigação de alertar que encontrei algumas falhas de coerência na história, mas que são tão pequenas que na visão macro não faz nem cosquinha (e pode ser também que tenha sido uma falta de atenção da minha parte). Em contrapartida, o livro também precisa de uma revisão, pois os erros de concordância e pontuação que encontrei foram muitos.


CONVERSATION

10 comentários:

  1. Olá!

    Achei interessante a forma como o autor contextualizou a sua trama e também esses pontos diferentes que você ressaltou na sua resenha. Mas hoje acho que não leria esse livro, acho q precisaria de um pouco mais de estímulo. Ou algo que realmente me chamasse a atenção...

    Bjoss
    http://kelenvasconcelos.blogspot.com.br/

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  2. Nossa, esse livro parece ser bom demais! Eu gosto bastante de livros que falam de história e ainda envolvendo romance... Gostei demais.
    Adorei ler sua resenha e seu blog também é lindo.

    Beijos,
    Bi.

    - www.naogostodeunicornios.com

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  3. Oi Lindeza! Eu amo histórias históricas, livros que se ambientam por exemplo na segunda guerra e nazismos são meus preferidos! Gosto muito dessa parte dos livros da Arqueiro, e do investimento, e viva os Anti-heróis!!! Amei a resenha, fiquei com vontade de conhecer! Beijos
    Paula Juliana - Overdose
    http://overdoselite.blogspot.com.br/2015/06/resenha-poder-encantadas-03-sarah.html

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    1. Também amo histórias que se passam na Segunda Guerra! :3

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  4. Eu PRECISO começar a ler esse autor. Só não sei se sou muito fan de romances históricos. Mas ai, sua resenha me deixou com vontade de conhecer kkk

    Beijos

    http://penelopeetelemaco.blogspot.com.br/

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    1. Não é romance histórico, só tem uma parte com romance ;)

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  5. Olá querida Babi :) Conheço esse livro desde anos atrás quando foi publicado aqui com o nome de Jackdaws: Agentes especiais. Gosto de Ken Follett mas nunca li nenhum de seus livros "menores", conheci o autor através de Os Pilares da Terra, um gigantesco romance histórico sobre a Idade Média. Já te falei que amo história? Então o livro tem de tudo, é basicamente uma novela mexicana de tanto drama e pelas situações que os protagonistas sofrem. Gosto bastante das Grandes Guerras Mundiais, por isso comprei a Trilogia do Século, li o primeiro volume e adorei, ele fala sobre a Primeira Guerra Mundial, Revolução Russa e Trabalhista mas de uma maneira interessante demais! Acho que deveria ser obrigatório nas escolas a leitura de Ken Follett. Estou para ler o segundo volume mas só o tamanho me dá medo, não porque acho que seja chato mas pelo pouco tempo que tenho e a dificuldade de ficar carregando ele por aí. Mas diz você gosta de livros históricos?

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    1. Rafa, você mal aparece por aqui, mas quando aparece sempre é um comentário de peso hahaha adoro :)

      Eu simplesmente AMO livros históricos, no real sentido da palavra já que tem gente que acha que livro histórico é só usar roupa de época e falar rebuscado. Eu sou tão apaixonada por história que minha irmã emprestou o livro que usei no ensino médio para o irmão de uma amiga dela. E mesmo passando 3 anos de livro emprestado fiz ela ir na casa do moleque buscar meu livro =3

      Também cheguei a prestar vestibular pra História, mas acabei não passando e o jeito foi ir pra Comunicação mesmo haha

      Beijão!

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    2. Na verdade seu blog faz parte da pequena lista de sites que visito regularmente e ainda na lista mais fechada dos que realmente comento com gosto rsrs Sempre estou por aqui mas muitas vezes não dá tempo de comentar. Muito legal isso! Eu adoro livros sobre o Japão Antigo! A saga de James Clavell é uma das melhores que posso indicar, Gai-Jin, Shogun e Tai-Pan são aqueles livros gigantes que fazem você viajar no tempo e espaço. Atualmente estou lendo As Crônicas Saxônicas de Bernard Cornwell, fala muito sobre as invasões vikings na Inglaterra do Rei Alfredo. É fantástica! Comecei a ler impulsionado pela série de TV, Vikings que não tem nada a ver com a obra do Cornwell, mas ambas seguem as mesmas verdades históricas. Estava pensando em cursar História mas é um mercado com poucas chances de emprego e ser professor no Brasil não é algo que valha a pena. Tentei Jornalismo também, gosto de escrever e achei que seria uma boa profissão, mas como sempre acabou sendo uma escolha equivocada. Minha próxima escolha é Biblioteconomia :) Abraços

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    3. Ohn, que honra :)

      Eu adoro a cultura oriental! Já fui muito maluca pelo Japão, mas confesso que não li livros sobre a parte histórica (a não ser que Musashi conte e Samurai X também :B). Depois vou dar uma procurada nessas que você mencionou! E eu sou louca para ler Bernard Cornwell, mas assim como Follet e o Douglas Adams, ainda não consegui uma oportunidade para ler as histórias dele :( Mas já escutei MUITA gente falando o quão boa é.

      Biblioteconomia parece ser bem legal, espero que você goste! Hoje em dia eu ando flertando com o mercado editorial e de ilustração (sou eternamente indecisa hahahha)

      Beijos!

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