-->

[RESENHA] As Fendas do Reino, de Jaclyn Moriarty


EI! Você que ainda não leu A Fenda Branca, pode parando de ler que essa resenha aqui é do segundo livro da trilogia e você pode acabar pegando spoilers do primeiro livro. Tá avisado.


Depois de longas conversas e discussões, Madeleine e Elliot continuam se comunicando por meio de uma pequena fenda que liga seus mundos. Ela vive na Inglaterra, ele vive no Reino de Cello, onde as cores podem atacar cidades e até mesmo causar mortes. E depois de ser requisitado a participar da Aliança da Juventude Real, Elliot descobre que vai precisar muito da ajuda de Madeleine no Mundo.

Acontece que a família real inteira desapareceu e a única que restou para comandar todo o Reino de Cello foi a Princesa Ko, de 15 anos, que acredita fielmente que seus irmãos e seus pais foram enviados para Mundo como uma estratégia de um plano para derrubar a família real. Por isso, a princesa criou a Aliança da Juventude Real que reune quatro jovens, de toda parte do reino, com habilidades diferenciadas para que possam localizar a fenda pela qual cada membro de sua família foi transportada e achar uma maneira de trazê-los de volta.

"Há todo um mundo por trás dos olhos de uma pessoa, pensou. E não só dos olhos: dos parquímetros também." (p. 330)

Mas claro que não poderia ser TÃO SIMPLES assim. Além disso, eles têm um problema extra: todo celliano que vai parar no Mundo cedo ou tarde acaba recriando suas memórias para que façam sentido na realidade do nosso mundo. Por isso, além de achar cada membro da família da Princesa Ko, Elliot, Madeleine, Samuel, Keira e Sergio vão ter que encontrar uma maneira convencê-los de que são rei, rainha, princesas e príncipes de um mundo mágico.

Dos personagens novos que surgem em As Fendas do Reino, curti muito o Samuel e seu jeito ingênuo e excêntrico de Velhus Excentricus. Uma cidade do Reino de Cello conhecida pela forma complicada de falar, que me rendeu boas risadas. Quanto a Keila,  uma menina sem papas na língua, tive sentimentos conflituosos. Às vezes me fazia aprovar seu comportamento e outras, me dava nos nervosos. Porém, é verdade que é uma das personagens responsável por dar uma movimentação na história e espero que ela seja mais trabalhada no próximo livro.

"- É. Detalhes obstruem sua mente e viciam seu olhar. Mas a escuridão - ela estendeu a mão e descansou as unhas afiadas na superfície da pele dele - ou uma única fresta de luz? Aí sim você vê o único detalhe que importa." (p. 199)

Uma das partes que mais curti da história (além do final), é quando a Aliaça da Juventude Real parte para o Lago dos Feitiços com o objetivo de pescar, caçar, pegar, um feitiço que os ajude a encontrar cada membro da família da Princesa Ko. O Lago dos Feitiços é um lugar longe de olhares adultos, onde só crianças e adolescentes. até 16 anos, podem entrar. O motivo: os adultos quebram a magia dos feitiços com o seu ceticismo. Assim, a autora faz uma crítica ao desenvolvimento do nosso modo de pensar conforme vamos envelhecendo, já que passamos a ficar mais céticos quanto a ideias utópicas e ações extraodinárias.

Eu quase me decepcionei um pouquinho (bem "inho" mesmo) com esse livro, porque em determinado momento eu percebi que a parte das cores serem vivas não estava sendo tão explorada. Entretanto, no final a autora usa essa característica da história para trazer um clímax de tirar o fôlego! As cores não só aparecem como aparecem para botar terror na história e te deixar com aquela tensão "NÃO, PELO AMOR DE DEUS!".

"O mundo é feito de algo mais que partículas. É feito de coisas que você não pode pegar, como medo, amor, perda, esperança, verdade. Ou melhor, verdades, que podemos pegar pelos ombros e virar, para que nos encarem. Ou posicionar de tal maneira que possam ser vistas em plena luz do dia." (p. 86)
Como no primeiro livro, também adorei a edição da V&R. Mesmo tendo gostado mais da capa de A Fenda Branca, o As Fendas do Reino também tem uma capa bonitinha e traz o detalhe no rodapé da página. Porém, ao invés de termos a Madeleine pedalando pelas páginas, temos uma xícara quentinha cuja fumaça vai se movimentando. Estou curiosa para ver qual vai ser o detalhe do último livro e isso me leva a uma grande questão.
A única crítica concreta que posso fazer ao livro As Fendas do Reino  é que cheguei à última página e percebi que teria uma continuação. Só aí que fui perguntar ao nosso querido Google quantos livros As Cores de Madeleine teriam e descobri  - no site oficial da autora (http://www.jaclynmoriarty.com/) - que se trata de uma trilogia. Sendo que o último livro, A Tangle of Gold (tradução literal: Um emaranhado de ouro), só será lançado lá fora no início de 2016.
#todaschora

CONVERSA

0 comentários:

Postar um comentário

Voltar
ao topo