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[RESENHA] A Fenda Branca, de Jaclyn Moriarty

Apesar de saber que a capa desse livro não conquistou todos os corações, ela foi a porta de entrada, ou melhor, a fenda mágica de entrada para a história de A Fenda Branca- As cores de Madeleine. Logo que a vi, corri para ler a sinopse no Skoob e fiquei ainda mais curiosa! Não deu outra, tive que tentar a sorte e solicitei o livro para a V&R, que gentil e lindamente me enviou junto com trocentos marcadores e primeiros capítulos de  Fora de Mim e Uma Canção para Jack.

Como diz a declaração do grande Markus Zusak acima, A Fenda Branca conta com uma história e personagens bem estranhos, porém muito envolvente e cativantes. Madeleine é uma adolescente bastante inteligente que ama se vestir com roupas extremamente coloridas e se mudou recentemente com sua mãe para Cambridge, na Inglaterra. Nessa sua vida nova, Madeleine tem aula com o mais estranho grupo de professores junto com seus amigos Jack, um esquisitão que adora horóscopo e acha que é a reencarnação de Lord Byron, e Belle, uma menina completamente chata e invejosa, porém amiga, que gosta de ler a áurea das pessoas. Mas o passado de Madeleine é um grande mistério e motivo para discussão entre Jack e Belle em sua ausência. Seriam suas histórias verdadeiras ou fruto de sua imaginação?

" - Além do mais... - Jack continuou, suavizando o tom irritado - ... além do mais, não é Madeleine que tem sorte por nos ter; é o inverso. Belle e Jack. Nossos nomes são bem curtinhos. Praticamente um sopro de palavra. O nome dela, não; é como um riacho borbulhante. Várias sílabas. Um monte de letras." (p. 35)



Já no mundo de Cello, mais precisamente nas Fazendas, conhecemos um menino que não mede esforços quando se trata de ajudar sua família e sua cidade. Mas a grande missão de Elliot Baranski é encontrar seu pai, que desapareceu depois de um ataque roxo de nível 3. Isso mesmo que você leu, não precisa reler. Um ataque de cor, no caso, a pior de todas. E esse também foi o ataque que matou o seu tio. Agora resta a dúvida, não só para Elliot, como para sua mãe e o xerife da cidade: teria sido Abel Baranski sequestrado por um roxo? Teria fugido da cidade? Teria fugido da cidade com uma amante, Mischka, a professora que também desapareceu nessa mesma noite?


Essas e muitas outras questões são levantadas durante todo o livro, mas o que vocês devem estar se perguntando é "O que o cu tem a ver com as coxas?". Bom, Madeleine e Elliot acabam se conhecendo por meio de uma fenda mágica que liga esses dois mundos (por mais estranho que isso tenha soado). No mundo de Madeleine a fenda aparece em um parquímetro quebrado, onde a menina encontra um bilhete de socorro. No mundo de Elliot, a fenda aparece na escultura feita por um de seus amigos, onde Elliot encontra o bilhete de Madeleine em resposta ao pedido de socorro.  Assim, os dois começam a se corresponder, Elliot tentando convencer Madeleine que seu mundo é real e Madeleine achando que está falando com um nerd de imaginação muito, mas muito fértil.

"O lance é o seguinte, Elliot: você era como um pedaço de magia. Você manteve as estrelas fixas no céu para mim e impediu que elas caíssem. Se eu abrir uma carta sua, acho que elas podem começar a cair de verdade." (p. 320)

Afinal, você acreditaria em um garoto que diz que veio de um mundo onde as cores atacam cidades causando as mais diversas consequências? Como avivar sentimentos de raiva, fazendo com você acabe brigando por coisas bem pequenas (como se uma cidade inteira estivesse de tpm) ou exaltando sentimentos fazendo com que você acabe se declarando para o amor da sua vida, que no caso é alguém que acabou de passar e que você achou um pouco atraente. Eu, sinceramente, acharia que estaria falando com um louco.

A Fenda Branca foi um livro que apesar de eu estar com altas espectativas conseguiu superar em todos os sentidos! Com diálogos muito divertidos e inteligentes, fica claro que Jaclyn teve um grande trabalho de pesquisa para construir essa história e eu sempre vou admirar os autores que se preocupam com esse pequeno detalhe que faz grandes diferenças. Sem falar que a autora é possuídora de uma imaginação e um talento admiráveis, já que ao mesmo tempo que o mundo de Cello parece simples, aos poucos se torna complexo. Tão complexo que dá todas as desculpas para ter uma continuação (As Fendas do Reino) que já estou LOUCA para ler! E ao mesmo tempo que se trata de uma fantasia, também aborda problemas reais que poderiam acontecer com qualquer um.

Ah, sim! Não posso deixar de avisar que qualquer semelhança com a história de Fronteiras do Universo, do Phillip Pullman, é mera coinscidência. Ou pelo menos uma mera brincadeira, já que a autora faz questão de fazer piada com o ponto em comum entre as duas histórias.

"Norte Mágico me faz pensar em renas e Papai Noel, e que planeja plagiar A Bússula de Ouro, de Phillip Pullman." (p. 131)


Também não posso deixar de frisar que mais uma vez a V&R arrasou na edição (com uma pequena exceção de que algumas páginas estão com pontinhos de mancha de tinta, mas nada que dê muita aflição). O livro é de ótima qualidade e com detalhes simples que fazem toda a diferença, como o desenho da Madeleine de bicicleta no rodapé que vai andando conforme você vai avançando nas páginas.

E quem quiser ler os primeiros capítulos de A Fenda Branca, clique aqui.





























[POST RELACIONADO]
Personagem Literário: Madeleine, de A Fenda Branca.

CONVERSATION

12 comentários:

  1. Pelo amor, quem não gostaria dessa capa? Eu achei linda! E gostei muito da resenha, que história louca! Acho que ainda não conhecia essa editora, vou prestar mais atenção nela. <3
    Valeu pela dica, Babi!

    Um abraço,
    Mona

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    1. É lindaaa!! Fiquei meio sem reação quando escutei coisas do tipo "que capa feia" etc :/
      E a V&R é a editora que trouxe Maze Runner <3

      Beijos, Mona!

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  2. Oh, esse livro parece lindo (e parecia normal na primeira parte da resenha, depois disso foi só um monte de surpresa hahaha). Gostei da proposta - e da ilustração que se mexe no pé da página. ^^
    www.blogsemserifa.com

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    1. É uma história bem louca e muito legal, Babs! Adorei TODOS os personagens :)

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  3. Babi, nunca li nada do autor Jaclyn Moriarty, mas a sua resenha me encantou. O que falar de uma personagem que gosta de ler a áurea das pessoas e um outro "que diz que veio de um mundo onde as cores atacam cidades causando as mais diversas consequências"? Sem contar que a capa é maravilhosa e essa bicicletinha no rodapé? Ah, é muito amor! Quero quero quero!

    Beijocas,
    Blog | Youtube | Instagram

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  4. Na boa... Olha que fodástico o final dessa folha. Não, gente.. É o mais lindo que eu já vi! G-E-N-I-A-L a ideia da menina andando numa bicicleta, genial!
    http://www.escritordeconta.com/

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  5. Ahh que diagramação é esta?! Linda!!!
    Babi não conhecia a obra mas como sempre tua resenha me deixou curiosa!

    Beijos Joi Cardoso
    Estante Diagonal

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    1. YAY! Lê sim, Joi! Acho que você vai adora :)

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  6. Oi Babi, tudo bom?
    Quanto tempo que eu não vinha aqui, nossa. Adoro a premissa desse livro, e o que faltava para mim lê-lo (que era incentivo) agora não falta mais. Com certeza vou solicitá-lo!
    A história também me lembrou um pouco Fronteiras do Universo (a qual eu só li resenhas), que bom saber que é apenas mera coincidência.
    Beijão!
    http://entreeleitores.blogspot.com/

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    1. Nossa, Jéssica, lê Fronteiras do Universo é muito bom!!! :D

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