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[RESENHA] A Lição de Anatomia do Temível Dr. Louison, de Enéias Tavares

Isaías Caminha é um jornalista carioca que desembarca em uma Porto Alegre, de 1911, repleta de dirigíveis, robôs e alta tecnologia. Enviado pelo jornal no qual trabalha, Isaías mergulha em uma investigação que envolve um misterioso caso de assassinatos em série.

O culpado dos crimes é apontado como sendo o Dr. Louison, o que não faz nenhum sentido para o jornalista já que é um dos mais prestigiados médicos da cidade. Educado, de fala mansa e pausada, como poderia cometer tais terríveis assassinatos?

Essa história vai ser desvendada por meio de documentos apresentados nesse dossiê de Isaías, que é o próprio livro A Lição de Anatomia do Temível Dr. Louison. Cada documento tem a visão dos fatos de diversos personagens por meio de diários, entrevistas, depoimentos etc.


Apesar dessa forma de narrativa parecer uma leitura arrastada, sem caráter emocional, Enéias consegue fazer com que Rita Baiana, Léonie, Pombinha, Vitória, Beatriz, Sergio, Bento, Solfieri e até mesmo o Dr. Louison ganhem grandes espaços no coração do leitor. Em contrapartida, também faz com que seja quase impossível não desenvolver nojo por Bacamarte, dono do hospital psiquiátrico da cidade se é que se pode chamar aquilo de hospital.

Por instantes, invejei a praticidade dos mecânicos e dos seus dispositivos de ligar e desligar" (p. 38)

A Lição de Anatomia do Temível Dr. Louison se encaixa perfeitamente naquela expressão de que "um livro sempre indica outros livros". Cada personagem dessa história foi tomado emprestado pelo autor de outros grandes autores de nossa literatura, como Álvares de Azevedo, Machado de Assis, Aluízio de Azevedo e Lima Barreto. E é quase impossível terminar este livro sem ter vontade de ler as histórias originais desses grandes personagens.

Para quem já conhece algum desses personagens, pode surgir a dúvida "Mas será que a história vai ser tão bem escrita quanto a do original?" e eu adianto que sim. A escrita de Enéias Tavares é de alta qualidade e trabalhada nos mínimos detalhes. Como a história se passa no início do século XX e trata-se de uma coletânea de documentos reunidos por um escrivão da época, a grafia utilizada é a nossa grafia daqueles tempos remotos. Por isso, não estranhe ao encontrar palavras escritas com "ph" e não com "f".

A única questão que eu achei que poderia ter sido melhor explorada foi a parte mística da sociedade secreta do Parthenon Místico, mas esse também seria um grande ponto para retomar o enredo dessa incrível história em uma continuação. E mesmo que isso não faça parte dos planos do autor, já estou louca para ler outra obra sua e torcendo para que alguém adapte essa história para um filme!


"Certas coisas não se conta nem se escreve. Só se vive" (p. 117)

CONVERSATION

6 comentários:

  1. Oi, Bá! Adorei a resenha e esse livro, que foi uma surpresa muito agradável que li este ano. De fato, fico com vontade de ler as obras originais, principalmente para comparar, e saber o que havia no original, e o que o Enéias trouxe de novo para cada personagem. :)
    Sobre o Parthenon Místico, parece que vai ser trabalho nos próximos volumes da coleção Brasiliana Steampunk!

    Beijos!

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    1. Jura?! Muito legal, sou uma pessoa mais feliz com essa informação ;)
      (esperarei ansiosamente para ler mais sobre o Parthenon Místico)

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  2. Babi que saudade!!! Não sei se este seria o livro ideal para mim, não me prende sabe? mesmo assim gostei de conhece-lo aqui!

    Beijos Joi Cardoso
    Estante Diagonal

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    1. Andei sumida, né? Tava difícil lidar com a correria aqui, mas agora estou de volta com força TOTAL!
      E realmente, esse é um gênero bem específico, mas se um dia estiver se sentindo mais receptiva tente dar uma chance, porque é realmente muito bem escrito e trabalhado ;)

      Beijão, Joi!

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  3. Comprei o livro na Bienal por pura empolgação. Ele foi vencedor do premio Fantasy, é Steampunk e a Arte de Capa é linda. O problema, foi quando cheguei em casa e resolvi iniciar a leitura. Li os primeiros capítulos, e já o deixei de lado. O Fato é que a leitura é arrastada, as palavras utilizadas são rebuscadas e a graphia, como ele mesmo diz, apesar de coerente com a época, é algo que me incomoda. Achei a escolha, apesar de coerente, que não foi a melhor opção. Ainda vou ler, mas passei outros na frente. :/


    Beijos,
    Bell

    http://contosdoguerreiro.blogspot.com/

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    1. Poxa, Bell, que pena! Mas tente dar uma segunda chance ao livro, porque a história vale muito a pena :)

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