strong, b { font-weight: 700; } -->
--- menu fixo original ---

[QUADRINHOS] V de Vingança, de Alan Moore e David Lloyd

Não podia deixar esse final de semana passar sem falar de um dos quadrinhos que virou símbolo de protestos contra governos e ações ditatoriais. Não é preciso ir muito longe para lembrar das máscaras sorridentes que perambularam pelo Rio de Janeiro, São Paulo e tantas outras cidades durante o intenso período de manifestações que ocorreram ano passado. Uma máscara que virou símbolo não só no Brasil, como no mundo inteiro. Uma máscara de um homem sem rosto que se rebelou contra um governo fascista, abusivo e repressor. Uma máscara de um homem conhecido como V, de Vingança.


Se a incrível História de V ficasse apenas no âmbito político já seria  justificativa suficiente para ter se tornado um grande marco na história dos quadrinhos. Mas o roteirista Alan Moore e o ilustrador David Lloyd criaram algo atemporal mostrando que não importa o tipo de governo no poder é dever de cada cidadão cobrar dos governantes aquilo que prometeram e deixaram de cumprir, de se rebelar sempre quando ameaçam sua liberdade e seus direitos. Lloyd e Moore mostram, acima de tudo, que V é cada um de nós e que sempre temos que vestir a máscara sorridente para nos certificarmos de que irão fazer do nosso estado, do nosso país, do nosso mundo, um lar e não o inferno.


Máscada artesanal de V de Vingança feita em Veneza, Itália.

Mas... qual é a história? A Segunda Guerra Mundial avassalou o mundo e a Inglaterra passou a ser contralada por fascistas e, claro, os campos de concentração se fazem presentes nesse governo daquela maneira habitual de "não sei o que é isso, não sei do que você está falando". Eram levados para esses campos todos aqueles que não se encaixavam no conceito "ariano" e se tornavam cobaias para pesquisas científicas. Não, espera. Eu disse campos de concetração?! Não, esquece! Quis dizer "Campos de Reabilitação"! São apenas lugares que tratavam alguns pacientes mentalmente perturbados, nada a ver com esses centros onde eram levados negros, judeus e homessexuais :)

Um desses centros, o da cidade de Larkhill, acaba incendiado e tendo todos os seus "pacientes" mortos, com a exceção do paciente do quarto número V, que fica desaparecido. Alguns anos depois, há uma explosão que destrói o Parlamento no centro de Londres que é seguido de uma série de... fogos de artifício. Simbolo que representa o nascer de uma nova era, já que é mundialmente usado nas viradas do ano.


V é apresentado como um herói às avessas, um combatente solitário contra um governo totalitário, e um viciado em colecionar objetos culturais. Consequentemente, o lugar onde mora é repleto de pinturas, esculturas, livros e sempre, sempre tem uma música rolando. A justificativa: a primeira coisa que um governo totalitário tenta abolir é todo e qualquer tipo de arte e cultura, já que esses são meios de manifestar opiniões, sentimentos, de mostrar a peculiaridade de cada cultura e de fazer protesto.

Estão entendendo porque esse quadrinho fez História? Ele não só nos mostra, ou melhor, nos ensina a manter o nosso papel dentro da politicagem, também mostra o absurdo que é você querer controlar o outro ou se sentir superior só porque o outro não segue o convencional, só porque é tão diferente que você é incapaz de compreender. Por isso, alguém poderia fazer o favor de enviar V de Vingança para o nosso querido e atual candidato à Presidência da República Levy Fidelix (PRTB).



























E não para por aí. Além de política, preconceito, V de Vingança vai além e fala de religião, de  paixão, sobre relações humanas, aborda até mesmo o Complexo de Édipo (só que invertido). Também é claro a quantidade de pesquisa que os co-autores fizeram, pois a história é recheada de pequenos fatos reais. Por exemplo, em 1605 houve realmente uma tentativa, por parte de um cara chamado Guy Fawkes, de destruir o Parlamento e matar o Rei Jaime I. O rosto de Fawkes foi a inspiração de David Lloyd para criar a máscara de V.

Também achei muito inteligente todos os diálogos, sequências e detalhes. Uma curiosidade sobre a estrutura do quadrinho é que não há balões de efeito sonoro e de pensamentos, essas características dão à narrativa um ritmo e um clima únicos, presentes também no longa dirigido por James McTeigue e produzido por Joel Silver e pelos irmãos Wachowski. Em uma parte da HQ, Moore conta que Lloyd impôs o fim desse balões na história como uma condição para dar procedimento ao projeto. O desafio foi aceito e muito bem executado!

Nesse domingo, vamos fazer um favor a nossa sociedade e ao quadrinho incrível de Moore e Lloyd. Vamos lembrar de V e refletir sobre nossos votos.

CONVERSATION

12 comentários:

  1. Olá,
    Eu não costumo ler quadrinhos, mas tenho uma curiosidade especial por essa história e tudo que se relaciona a ela. Acho a trama incrível e sempre fico curiosa quando leio algo a respeito, principalmente por fazer parte do contexto tão importante que vivemos: a escolha do futuro do país.
    Beijos.
    Memórias de Leitura - memorias-de-leitura.blogspot.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Iês, é uma história que vale muito a pena, quase uma obrigação lê-la! ;p

      Excluir
  2. Minha experiencia com quadrinhos/mangás e afins é quase 0
    Ando me aventurando por TWD mas só pq quero saber spoilers sobre a série hahaha (me julgue =/)

    Mas lendo sua resenha vejo o quanto preciso abrir mais meus horizontes em relação a "este gênero" por que me parece muito interessante e divertido de ler.

    Beijos Joi Cardoso
    Estante Diagonal

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. hahahha tmabém procurei TWD por causa da série, dizem que bem melhor e que tem várias coisas diferentes! Ainda não li nenhum, mas pretendo :)

      Excluir
  3. Eu quase não leio quadrinhos. :( Mas V de Vingança é um dos que eu tenho muita vontade de ler por causa da diversidade de temas que ele aborda, como você citou.
    Esse fato de ele ser um "herói às avessas" é um chamativo a mais, porque o torna misterioso, instigante.

    Um beijo,
    Luara - Estante Vertical

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Luara, você usou a palavra certa: instigante! A história toda é instigante, os personagens, TUDO! Vale muito a pena mesmo. eu tive certa relutância em começar a ler por medo de acabar me decepcionando e, no fim, só superou minhas expectativas.

      Excluir
  4. Olá, Babi
    Tudo bem?
    Não costumo e nem sou muito adepta a ler quadrinhos, mas a história desse me encantou muito. Parece ser bem interessante, fiquei bem curiosa!!
    Beijos*-*
    Território das Garotas

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Então pega essa curiosidade e corra atrás para ler! Tá perdendo uma ótima história, Poliana! ;p

      Excluir
  5. Eu acho que essa foi a primeira HQ que eu li. É tão boa quanto dizem por aí. Nem tem muito mais o que comentar. Desde então eu li umas outras HQs, mas até agora acho que essa foi a melhor ou pelo menos a mais memorável. Acho meio ridículo quando vejo essas máscaras sendo usadas em protestos por aí, mas eu entendo por que se tornaria um símbolo. (Podia jurar que já tinha comentado esse post...)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Rapha, o blogger às vezes me trolla e não envia uns comentários meus, pode ser que isso tenha acontecido com você!

      E com certeza V é MUITO memorável!

      Excluir
  6. Essa HQ parece muito séria e intensa, e eu, que adoro HQs, tenho vontade de ler. Só não entendi o motivo de não haver balões de fala ou onomatopeias. Gostaria de saber qual efeito isso causa no leitor e na história.
    Ótima resenha! Beijos e boa semana pra você!
    www.blogsemserifa.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Bárbara, a história acaba ganhando um ritmo próprio. Foi mais um desafio que os autores se propuseram (acho que a ideia era inovar mesmo) e ficou um resultado ótimo :)

      Excluir

Voltar
ao topo