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RESENHA: Reiniciados, de Teri Terry

Minha história com Reiniciados começou na Bienal do Livro no Rio de 2013. Estava vagando entre os estandes com uma amiga até que dei por mim admirando essa capa misteriosa no estande da editora Farol Literário. Li a sinopse. Gostei. Resolvi levar.

O mais incrível é que para todo lado que eu olhava eu via uma capa MARA e pensava "vou levar!", até me lembrar que eu já estava com um roxo no braço de tanto carregar livros e já tinha gastado a minha vida. Então, uma lágrima rolou e eu tive que me contentar em levar apenas o primeiro livro dessa série.

Reiniciados conta a história de Kyla que é muito mais que uma distopia, é um thriller psicológico repleto de mistérios. Como em toda distopia, o mundo não é mais como conhecemos hoje. Agora, criminosos têm suas mentes apagadas e são adotados por uma nova família para que tenham a oportunidade de seguir com uma vida nova.


Com um pequeno porém, é claro. Eles têm uma espécie de relógio - chamado Nivo - que não podem tirar, senão morrem.  O Nivo mede as emoções dos reiniciados para que, quando se sintam com raiva ou se mostrem à beira da depressão, sofram um desmaio forçado ou até mesmo os levam à morte. Conclusão: é preciso se manter sempre dentro dos níveis de felicidade. Uma pequena crítica a nossa sociedade do espetáculo.

"Talvez seja mesmo essa a resposta. Sou uma página em branco. Uma página sem graça." (p. 18)

Teve uma caracaterística dessa sociedade criada por Teri Terry que não me convenceu (e torço para que tenha explicações nos próximos livros): só podem ser reiniciados pessoas até 16 anos. E por que não me convenceu? Crianças podem até ser um pouco malévolas às vezes, mas em sua maioria é porque ainda não foram educadas, ainda não as ensinaram o certo e o errado dentro daquela sociedade.

Então, como uma criança com menos de 10 anos pode ser reiniciada? Não faz sentido para mim, acho que seria mais sensato se as pessoas só pudessem ser reiniciadas a partir de 12 anos, que aí, sim, é quando começam a fazer cagadasE o que acontece com quem comete algum crime depois dos 16? Bom, esse é o grande mistério da história e já adianto que, acredito, só deve ser desvendado no segundo livro da série.

Somos apresentados à Kyla, uma reiniciada, quando está se preparando para conhecer a sua nova família e com os nervos à flor da pele. Ela foi uma das poucas reiniciadas mantida por um período maior no hospital, onde esses ex criminosos reaprendem coisas básicas, como andar, ler, escrever. Um dos muitos fatos curiosos na vida de Kyla. Outro muito importante é que ela é atormentada com pesadelos muito realísticos (ou seriam memórias?) que sempre fazem seus níveis abaixarem perigosamente e a colocam sob os olhares atentos da Drª Lysander - a responsável por criar o sistema dos reiniciados-, prontos para detectarem algum comportamento a mais fora do padrão.

Kyla está completamente ciente que essa é a sua última chance e que está sob constante vigília quando é adotada por essa nova família. Por isso, automaticamente acaba ficando nervosa, fato que faz com que seus níveis comecem a abaixar. Mas sua nova irmã Amy, também reiniciada, ensina-lhe alguns pequenos truques para manter seus níveis altos, como fazer coisas que dão prazer, podendo ir desde pegar um lápis e um papel para desenhar até comer chocolate.

Para ser novamente inserida na sociedade, Kyla também tem que se submeter a algumas reuniões com outros reiniciados para avaliações de condutas durante seu dia a dia. Na primeira reunião, conhece o atlético Ben e a estranha Tori. Tão estranha quanto ela mesma. Ao contrário de Tori, Kyla percebe cedo que é diferente e que sua mente não está totalmente condicionada. Por isso, sabe que não pode simplesmente sair falando o que pensa. É preciso disfarçar que possui um senso crítico próprio. Tori, ao contrário, fala o que vem à mente sem se preocupar com as consequências, até que um dia ela simplesmente desaparece.

"Ele teve de ser punido por discordar das ações do governo. Fazer o que eles fizeram em frente de todos os alunos foi como gritar em alto e bom som, sem usar palavras: Nós estamos no controle. Podemos fazer o que quisermos. Se fizessem isso em segredo, qual seria a utilidade?" (p. 241)

E então todos os mistérios do livro começam a surgir aos poucos e te faz ficar presa na narrativa, que é muito bem escrita! Você se sente com a necessidade de ler página por página até que *puf* você se vê encarando a última linha pensando "Puta que pariu, devia ter comprado as continuações!". Cada questão que o livro levanta é trabalhada de forma impressionante e ao contrário de muitos livros que tem por aí, a história de Terry tem todas as justificativas do mundo para ganhar continuações!

Outro ponto positivo foi o romance, se é que podemos chamar de romance. Ao contrário do romance utópico que tem por aí (paixão à primeira vista, recíproco e que os outros que põe empencilhos para o final feliz), Terry cria um romance meio torto, meio errado. Um romance que ninguém sabe se é romance ou se é porque o governo condicionou a mente dos reiniciados. Enquanto por um lado temos um cara aparentemente acéfalo que vem cheio de mimimi por outro Kyla apresenta seu lado superracional e quebra o nhenhé meloso.

Eu sei que depois de Feios e Reiniciados aprendi uma coisa. Nunca mais levo a sério bestsellers do New York Times e aceitarei de muito bom grado todas as recomendações do jornal britânico The Guardian. Minhas expectativas para os próximos livros estão altas, espero que as questões das rebeliões e terroristas sejam o foco do segundo livro e que também acrescentem mais pontos sobre a questão política.

E como esse livro foi lido durante a Maratona #EUSOUDOIDEIRA, a música que escolhi para ele foi essa coisa linda  :

CONVERSATION

9 comentários:

  1. Uau fiquei muito curiosa para ler o livro. É uma missão de ficção científica com suspense. Gosto muito. By the way, adoro suas resenhas!

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    1. Oi, Laís!! Nossa, eu nem fazia ideia que você acompanhava o blog! E Obrigada <3
      Fico muito feliz que goste das resenhas! :)

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  2. OK Babi, se eu tinha alguma duvida se lia ou não a trilogia tu acabou de me convencer, sua resenha esta super instigante hahaha vou gastar dinheiro =/ foi dado o veredicto! hahah

    Beijos Joi Cardoso
    Estante Diagonal

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    1. Aaah Joi, é a história que é bem instigante! ;)

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  3. Babi, você também acabou de me convencer com essa resenha, haha. Há séculos que tenho esse livro na wishlist - mais pela capa mesmo (culpa da minha mania de não ler sinopses kk) - mas amei saber que não é uma distopia convencional. E até gostei do fato de ficarem algumas coisas abertas pros próximos volumes, hehe
    Bom saber que é melhor comprar as continuações de uma vez, porque se existe uma pessoa curiosa na vida, essa sou eu rs

    Beijos,
    Thay.

    www.missthay.com

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    1. Thayy, nossa eu também deixei Reiniciados um tempo na estante até decidir pegar para ler, mas vale muito a pena! E sou que nem você, prefiro ter as continuações para o caso do livro me deixar mega curiosa, como esse me deixou.
      Beijoos!

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  4. Aaaaa eu quero esse livro *-*

    maisumleitor.wordpress.com

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  5. Menina amei sua resenha... vou começar a ler esse livro agora..Bjs Bjs

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