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RESENHA: A Volta, de Bruce e Andrea Leininger com Ken Cross

Antes de tudo quero deixar bem claro que não sigo nenhuma corrente religiosa, apesar de ter feito primeira comunhão quando criança. Mas mesmo aos 10 anos de idade eu já tinha minhas dúvidas quanto à igreja católica, muitas questões que eu tinha não eram respondidas ou respondidas com metáforas que eu não conseguia levar a sério. E, durante muito tempo, considerei-me adepta do ateísmo.

A verdade é que cada um segue o que acredita, não adianta nada seguir uma religião sem acreditar e por isso que também não adianta nada discutir religião. Eu ainda não encontrei uma que eu possa dizer que acredito plenamente, mas estou aberta a opções. Mesmo se você aí que está lendo já tiver a sua crença, dê uma chance para A Volta. Ao menos, você vai ter que concordar comigo que esse livro é muito desconcertante!


Quando tinha apenas 2 anos de idade, as noites do pequeno James Leininger começaram a ser marcadas por terríveis pesadelos. Ao mesmo tempo em que gritava como se tivesse lutando por sua vida, o menino também chutava o ar como se estivesse tentando sair de algum lugar apertado e tudo isso, para o desespero de Andrea (sua mãe), sem nem ao menos acordar.

Mas foi só depois de muitas noites mal dormidas e muitos pesadelos que um dia Andrea percebeu que os gritos de seu filho não eram apenas gritos. James estava gritando uma frase coerente "O avião caiu! O avião está pegando fogo! O rapaz não consegue sair!". Completamente supresa, Andrea correu para chamar Bruce, seu marido. Bruce, no entanto, apenas se deixou ficar perplexo e depois deixou a questão de lado. Mas eles não tiveram como deixar de lado, depois que James começou a falar do sonho acordado:

"- Meu bem, conte para o papai o que você me disse antes.
Obediente, James se deitou de costas, exatamente como fizera pouco antes, e disse:
- O rapaz está fazendo isto - dando chutes para cima, da mesma maneira como fizera anteriormente, e repetiu, enquanto chutava: Ohhh!Ohhh!Ohhh! Não consigo sair!
Andrea perguntou suavemente:
- James, você fala sobre o rapaz quando tem sonhos. Quem é o rapaz?
- Eu.
O rosto de Bruce ficou pálido. (...)
- Filho, o que aconteceu com o seu avião?
- Ele caiu, pegando fogo
- Por que seu avião caiu?
- Ele levou um tiro.
- Quem atirou no seu avião?
James fez uma cara de enfado. A resposta era tão óbvia! (...)
- Os japoneses! - respondeu o menino com um tom desdenhoso de um adolescente impaciente." (p. 85)

A partir de então, James começou a dar cada vez mais detalhes sobre o seu sonho, de onde o avião tinha decolado (um navio chamado Natoma Bay), o tipo de avião que estava pilotando (um Corsair), inclusive o nome de um amigo: Jack Larsen. Bruce reuniu todas as informações que seu filho soltava e começou a fazer uma intensa e árdua pesquisa com o objetivo de achar uma explicação lógica do porquê James, de apenas dois anos (!), sabia tanta coisa sobre a Segunda Guerra Mundial.

Bruce era praticante e adepto da religião católica evangélica, que prega o descanço eterno e não acredita na possibilidade de ressureição. E por ter tanta fé em suas crenças que foi em busca de provas concretas que mostrassem que os pesadelos de seu filho não se tratavam de recordações de uma vida passada, como acreditava Andrea. A Volta é o relato de todo o processo investigativo que o pai de James iniciou ao mesmo tempo que mostra todo o conflito interno que Bruce sofre até escolher acreditar.

Eu não achei a escrita de Ken Cross maravilhosa, muitas vezes a sensação que tinha é que estava apelando demais para o dramático ao invés de simplesmente narrar a história do pequeno James. Antes de iniciar a leitura, eu achava que se tratava de uma história muito antiga, daquelas que nem conseguimos imaginar que realmente aconteceram de tão distantes que parecem. Mas os pesadelos de James Leiniger começaram em 2000, logo, hoje James possui 16 anos e está mais do que vivo!



Por isso, durante todo o livro fiquei com os dedos coçando, doidos para buscarem o nome de James no Google e saber um pouco mais da vida atual dele. Mas consegui me controlar até finalizar a leitura. No fim, foi uma decisão que me agradou bastante, já que passei por toda a empolgação de ir descobrindo aos poucos tudo o que aconteceu com essa família tão intrigante!

Se eu fosse você, iria deixar para apelar ao Google só após de ter lido A Volta para sentir todas as emoções que esse livro é capaz de te proporcionar (mesmo a narrativa sendo um pouco apelativa e dramática). Apesar de não ser espírita, estaria mentindo se dissesse que esse livro não mexeu comigo, pois mexeu e muito. Uma hora estava lendo tranquilamente e quando dei por mim já tinha deixado o livro de lado e estava, literamente, aos prantos. Não pela história do livro, mas pelas coisas que ele me vez refletir e lembranças que voltaram à tona.

Essa resenha não é nenhuma tentativa de converter ninguém, mas é defitivamente uma história incrível que vale a leitura. E para os que ficaram muito curiosos, vou deixar abaixo todos os vídeos que encontrei com a família Leininger (um, inclusive, atual). Mas ressalto que minha recomendação é que veja após ler o livro. De qualquer forma, lendo e vendo ou apenas vendo os vídeos, fica por conta de cada um escolher entre acreditar ou levar apenas como uma boa história.


Vídeos sobre a família Leininger














CONVERSATION

10 comentários:

  1. Oi Babi! Eu já tinha escutado algo sobre este menino em algum documentário e até pelo youtube mesmo não lembro, agora com a sua resenha e com o livro eu fiquei ainda mais curiosa e saber como ele esta hoje e como lidou com tudo isso.

    Realmente é uma historia tocante. Se você que não esta ligada em nenhuma crença se emocionou ou ao menos ficou intrigada imagina para quem (eu) que acredita no doutrina Espirita hehehe a tantas coisas no mundo inexplicáveis.

    Beijos Joi Cardoso
    Estante Diagonal

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    1. Oi Joi, não tem como ficar curioso é muito intrigante a história toda! E sendo espírita, tenho certeza que vai gostar :)

      Beijos!

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  2. Oi Babi! Nunca tinha ouvido falar deste livro...
    Eu apenas fui batizada na católica, mas por um tempo, também me considerei adepta ao ateísmo... Hoje eu frequento o centro espírita, pois foi onde eu encontrei mais respostas para as minhas perguntas. Mas mesmo assim, ainda tenho dúvidas sobre o que eu acredito...
    Quando comecei a ler sua resenha, não imaginei que o livro fosse uma história real... Pretendo lê-lo, pois fiquei realmente interessada no livro. :)
    Beijo,
    entreeleitores.blogspot.com

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    1. Nunca fui a um centro espírita, mas tenho vontade de conhecer :)

      Espero que goste do livro!
      Beijos!

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  3. U.A.U!

    Olha... a fé é muito importante. É o que move o mundo e a nós mesmo. Sem isso, muitas coisas não são possíveis.


    Lucas

    escritordeconta.blogspot.com.br

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  4. Eu não conhecia a história desse rapaz, mas é mesmo muito intensa e interessante.
    Fiquei curiosa, vou tentar ler o livro ou ver um desses vídeos, são histórias assim que abrem nossos olhos para certas coisas.

    memorias-de-leitura.blogspot.com

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    1. Com certeza, Inês! Gosto de livro assim, que nos faz pensar :)

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  5. Babi, logo no seu primeiro parágrafo me identifiquei. Minha relação com a religião foi bastante parecida, também fiz minha primeira comunhão e desde os 12 anos de idade não coloco mais meus pés dentro de uma igreja, tenho 20 anos agora. Tive uma época de busca espiritual, foi quando conheci o espiritismo e achei que tinha me encontrado, até entender que eu só estava tentando me enganar, e não digo isso de maneira a diminuir crenças, mas, sim, porque a minha crença não pode mais ser algo em que eu acredite de verdade, como deveria ser. Hoje, me vejo mais como agnóstica, não acredito muito, entretanto, não luto mais contra a fé. Durante muito tempo confundi fé com religião e acho até que ter uma posição mais aberta me faz apreender mais de tudo o que as todas as formas de expressão de fé podem me proporcionar de melhor.

    Achei muito curiosa essa questão da possível reencarnação, dos sonhos... Há tanta coisa no mundo, tanto por se descobrir, tanto por se aprender, que não me ouvir essas histórias com a mente aberta, independente de crença, é sempre muito interessante.

    Já tava com saudade de comentar por aqui, mas agora voltei e, como esperado, tem sempre coisa boa pra me receber novamente!
    Beijos!

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    1. Taci, você disse tudo! É exatamente assim como me sinto, por enquanto sou agnóstica, mas mantenho a mente aberta :)
      Como também não nego em adotar uma religião própria, juntando aqui e ali crenças de religiões diferentes, mas que eu de fato, acredito. São poucas, mas quem disse que precisamos acreditar em tudo, não é?

      E eu já estava com saudade das suas visitas! E com certeza das suas postagens :)

      Beijinhos!

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  6. Fiquei totalmente emocionada lendo essa resenha.
    Claro que na sua situação eu também sou parecida. É preciso acreditar em tudo, não vejo limitação para uma religião em si. Sei lá, isso é um pouco relativo, penso.
    Quanto ao seu trabalho nessa resenha, achei espetacular a mistura de explicar a história e uma opinião própria.
    Marquei o livro no skoob como vou ler, claro. Estou ansiosíssima.

    M&N | http://desbravadoresdelivros.blogspot.com.br

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