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RESENHA: 72 horas para morrer, de Ricardo Ragazzo


Hey! Você que gosta de seriados como Dexter e de histórias cheias de sangue, 
preste atenção nessa resenha que tenho certeza que esse livro vai despertar o seu interesse ;)


Logo de cara, Ragazzo nos mostra de antemão o que tornará a vida de Júlio Fontana um verdadeiro inferno e não nos polpa dos detalhes sanguinolentos. Acho que se fosse possível torcer o livro que nem toalha, escorreria sangue dele. 

Então, se você começar a ler 72 horas para morrer esperando apenas uma história cheia de mistérios, à lá Sherlock Holmes, vai perceber rapidinho que talvez esse livro não te proporcione a leitura que imaginava. Eu não sou muito fã de histórias com cenas fortes e com o nível de tensão que Ricardo Ragazzo nos oferece em seu primeiro romance. Mas confesso que sou uma pessoa muito curiosa, o que me fez respirar fundo - em muitos casos, literamente - e encarar os desafios junto com o protagonista. 

Julio Fontana é um delegado da pequena cidade de Novo Salto, dotado de um temperamento bem esquentado. Acorda para encarar mais um dia dentro da sua rotina. Toma seu café da manhã. Tem seu estresse diário com sua filha Laura. Recebe pelo rádio um chamado sobre o desaparecimento de uma mulher e parte para desempenhar seu papel de delegado.

Até que se dá conta que a mulher desaparecida, que antes, para ele, era uma completa desconhecida é, na verdade, sua conhecida. Muito conhecida. Fato esse, que torna óbvio que Fontana é o único e exclusivo alvo de quem quer que tenha tramado os tantos assassinatos do livro. E a maior vítima nesse jogo, é claro, é sua filha Laura.


Toda a trama se passa em 72h como dá a entender o título do livro e por isso a história é dividida em dias, como se fossem capítulos, e em horas, como se fossem subtitulos. Eu tenho que confessar que, para mim, foram tantos acontecimentos para apenas 72h que acabei parando de acompanhar em qual dia cada fato tinha acontecido. Na minha cabeça parecia que tinham passado dias, podendo extender o enredo para o equivalente a uma semana. Porém, sei que muitas vezes nosso psicológico faz com que meros 2 segundos pareçam uma eternidade e talvez essa tenha sido a intenção do autor.

Também demorei a me acostumar com a forma que a história é narrada. 72 horas para morrer apresenta dois narradores diferentes, um em primeira pessoa, que é narrado pelo próprio Júlio Fontana; e o outro em terceira pessoa, que nos mostra o lado do assassino e vítimas. Talvez por um estranhamento inicial, eu tive a sensação de que havia uma sutil diferença na qualidade da escrita entre os dois tipos de narradores. Sendo os fatos narrados em primeira pessoa muito mais desenvolvidos e fluidos do que os narrados na terceira pessoa. Mas, conforme os mistérios iam me dominando, eu acabei parando de ver essa diferença.

O jeito de contar a história sob o ponto de vista de Júlio Fontana me lembrou muito a narração do filme Tropa de Elite, que é feita pelo Capitão Nascimento. Então, não pude deixar de imaginar o personagem Fontana com certas características do próprio Nascimento e, por algum motivo que não sei explicar, resolvi misturar com o físico e algumas outras características do autor Charles Bukowski (nexo? Não, não tem). Eu sei que eu consegui imaginar a história com tanta riqueza de detalhes que às vezes, por breves segundos, pergunto-me se assisti ao filme também (e não. Não tem adaptação para filme, mas iria adorar se um dia isso fosse possível!).

"- Toda história tem mais de uma versão, pois toda história tem mais de um ponto de vista. Depende tão somente daquele que a conta. Esta não é diferente. Qual versão você quer ouvir?" (p. 81)

No entanto, apesar dos mistérios terem prendido minha atenção em progressão aritmética, teve um pequeno detalhe que acabava atrasando minha leitura: a Laura. Gente, sério. Não me lembro se no início Ragazzo deixa claro que a filha do delegado já é maior de idade, mas por causa das atitudes dessa personagem no inicio do livro eu a imaginei uma adolescente mimada, por volta de 15 anos. E, do nada, me deparo que ela tem 18 anos e isso me fez ficar totalmente chocada e confusa.

A Laura é uma personagem que me irritou tanto e em tantos sentidos que me peguei várias vezes falando alto "*Palavrão*, SUA IDIOTA!!!". Poderia citar várias cenas e várias atitudes dela que me irritaram, mas, como sempre, quero evitar de todas as formas de acabar soltando algum fato que possa ser considerado spoiler. Mas sabe aquela personagem que você detestou? Então, agora a minha é a Laura (conseguiu tirar o posto da Tally, de Feios).

Em poucos momentos, eu quase simpatizei com a filha de Fontana. Quase. Ragazzo constrói os personagens com tanta complexidade que em 72 horas para morrer você não encontrará pessoas inteiramente boas e inteiramente ruins e, por isso, por breves linhas eu por pouco não tracei uma conexão com a Laura. Mas logo depois ela me irritava fortemente. E, por íncrível que pareça, esse foi o fato que mais me conquistou em todo o livro! Ricardo Ragazzo construiu personagens inteiramente humanas, pois nós todos fazemos coisas ruins e boas motivados por diversos interesses. No fundo, nós e os personagens de Ragazzo não passamos de vários pacotes de Trakinas meio a meio.

Quanto ao final, até agora ainda me pego pensando sobre ele. Não consigo decidir se gostei ou não, mas definitivamente foi um desfecho que eu não esperava de forma alguma. Inclusive, lembrou-me de um filme cujo final também me deixou nesse estado de indecisão. Não vou citar o nome do filme para, de novo, não acabar dando dicas sobre o fim de 72 horas para morrer para quem, por acaso, já tenha visto o tal do filme.

Se você se interessou pela narrativa do primeiro romance de Ragazzo, recomendo muito que leia! Mesmo não sendo meu gênero preferido e com muita cenas de sangue, eu adorei e já estou ansiosamente esperando para ler A Garota das Cicatrizes de Fogo, que já me conquistou pelo título.

Ah! E se quiser saber mais sobre o que achei do livro (quero dizer, me permitindo falar spoilers), pode vir falar comigo por e-mail ou pelas redes sociais do blog! Adoro debater sobre as impressões de um livro :D

CONVERSATION

15 comentários:

  1. Babi, adorei sua resenha!!!!
    Nunca tinha ouvido falar do livro ou do autor, mas já estou super com vontade de ler!
    Meu problema com toda a carnificina (que estou imaginando) é que sinto a dor de ferimentos que vejo ou me são descritos! hauahuahau
    E é dor de verdade....
    Mas mesmo assim eu gosto desse tipo de história....

    Beijos

    sugarylemonade.blogspot.com.br

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    1. Meu deus, Cah! Dor?! Eu fico com MUITO MUITO nervoso, mas chegar a sentir dor...
      E dizem que ferimentos muito graves você nem sente a dor, parece que seu cérebro bloqueia. Não sei se é verdade, mas pensa nisso quando tiver lendo livros estilo Jogos Mortais ;p

      Beijos!

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  2. Esse livro é um dos meus favoritos, justamente por tudo o que você falou. Como muita gente critica o final, e às vezes até criticam o livro por esse detalhe, fico muito feliz quando vejo uma resenha tão incrível como a sua.
    A Laura é realmente uma personagem chata, mas o Júlio, apesar de tudo, é fantástico. Espero que o Ragazzo volte a usá-lo em futuros livros.

    Beijos,
    Ricardo - www.overshockblog.com.br

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    1. Também adorei o Júlio! Mas acho meio difícil ter outro livro com ele ;/

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  3. Gostei da resenha Babi. Parece ser um excelente suspense policial e com cenas bem fortes. Curto bastante premissas assim. Beijo!

    www.newsnessa.com

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    1. Então, leia Vanessa! E depois conta o que achou ;)

      Beijoos!

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  4. Acho a proposta do livro muito bacana, mas ele não faz meu estilo.
    Inclusive não gosto muito dessa capa, acho feia.

    memorias-de-leitura.blogspot.com

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    1. O autor divulgou no Facebook que o livro vai ser reimpresso e vai ter uma capa diferente ;)

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  5. Ei, Babi. Tudo bem??
    Eu não sou muito chegada em Dexter e após a sua resenha ( e outras que já li) cheguei a conclusão que não é o tipo de livro adequado para mim...
    Policial, muito sangue...
    melhor não
    hauhuahauhaa
    mas a resenha está maravilhosa! Super bem escrita, parabéns :D
    Beijinhos
    http://www.interacaoliteraria.com/

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    1. Brigada, Paula! :D
      Também não sou muito chegada em sangue, mas adoro Dexter e gostei do livro (vai entender, né?!)

      Beijos!!

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  6. Oiee!
    Eu sou fã de Dexter e acho que vou amar esse livro!!
    Muito boa sua resenha, conseguiu falar muito sobre o livro sem dar spoilers, hahahaha
    Estou ansiosa para ler!
    Beijos

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    1. Ohn, brigada!! Fiquei muito feliz que gostou!
      Quando ler vem me contar o que achou? Vou adorar saber ;)

      Beijos!

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  7. Eu preciso desse livro e preciso dele agora!!
    Romances policiais e suspenses são sem sombra de duvida meus estilos literarios favoritos, mas acho tão dificil encontrar algo novo que tenha esses dois aspectos e que seja bom. E pelo que você falou é 98% de certeza que esse livro entrará pra minha lista de favoritos rs.

    Abraços
    des-construindooverbo.blogspot.com.br

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    1. Então, tenho certeza que vai gostar, Erick! ;)

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  8. Olá!
    Eu li esse livro e achei fantástico. É muita tensão para um livro só. Fiquei com o coração na mão. Muito intenso. Ótima resenha. Beijos!

    http://ymaia.blogspot.com.br/

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