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RESENHA: Alta Fidelidade, de Nick Hornby

Alta Fidelidade, de Nick Hornby, tem como narrador e personagem principal  um cara de 30 e tantos anos chamado Rob Fleming, o maior BABACA da história! Rob é dono de uma loja de LP's totalmente frustrado com a sua vida profissional e amorosa. Consequentemente, ele é um cara egoísta, amargo, azedo e indo direto ao ponto: escroto!

Você começa o livro achando que vai ser mais um daqueles que falam de relacionamentos, que possui passagens legais. Mas aí o querido Rob, que tem mania de fazer listas sobre tudo - top 5 melhores banda, top 10 piores músicas de todos os tempos - nos apresenta uma lista com 4 tópicos do porquê seu último relacionamento acabou. E você automanticamente pensa "Que grande babaca!".

"Então, quer dizer que você detestou o livro?" Calma! Eu sei que eu dei muita eloquência para a palavra "babaca". Mas por ser exatamente o maior de todos, o Rob tem total consciência disso, como também sabe que não é o único. Tanto, que logo após a sua lista de babaquices, ele nos dá um tapa na cara ao dizer:

"E antes que vocês me julguem, embora provavelmente já tenham me julgado, tentem escrever uma lista das quatro piores coisas que já fizeram pros seus parceiros, mesmo que eles não saibam de nada - especialmente se não souberem. Não dourem a pílula, nem tentem explicar muito; simplesmente façam a lista usando a linguagem mais simples possível. Terminaram? Certo, quem é o babaca agora?" (p. 94)

Mesmo que não seja do mesmo nível que a lista do Rob Fleming, temos que concordar que somos humanos e cometemos erros O TEMPO TODO! Consequentemente, acabamos machucando quem mais gostamos e, aos olhos do outro, acabamos ganhando o título de babaca (ou coisas piores...). Mas mesmo depois da lição de moral, continuei achando o Rob um idiota. E se não fosse pelos seus amigos/funcionários Dick e Barry, entre outros detalhes, tenho certeza que não teria curtido tanto a história.

Não que eles também não sejam idiotas. O Dick é um cara super tímido, nerd e bonzinho, igual aqueles caras que todo mundo acha que vai acabar sozinho por não ter aquela essência masculina de empinar o peito e querer se mostrar custe o que custar. E é exatamente esse cara que empina o peito e quer se mostrar o tempo todo que vemos em Barry. Só que o Barry traz o lado cômico e confesso que suas falas me divertiram em todo o livro.

Outra coisa que curti bastante foi as referências da década de 90 (a história se passa nessa época e foi escrita nessa época), como os próprios LP's, VHS, fitas cassetes. Enfim, coisas da minha doce infância! Além disso, como Rob é dono de uma loja de discos, o que não falta em toda narrativa é citações de sucessos musicais e até mesmo dos que não foram tão sucesso assim. Muitas das referências eu não conhecia e acabava indo pesquisar sobre, mas no final eu desisti por serem muitas (e não só musicais, como de filmes e séries) e porque eu acabava interrompendo a leitura o tempo todo.

Alta Fidelidade também ganhou uns pontinhos extras comigo ao citar a melhor banda de todos os tempos, na minha humilde opinião: THE BEATLES! E aqui eu acho uma desculpa para poder falar no blog sobre outra paixão que não livros Entre as músicas citadas encontramos Yellow Submarine, Help! Something, uma pena que essas não sejam exatamente minhas preferidas...

Então, vamos ao meu TOP 5 Músicas Preferidas dos Beatles (eita, que difícil! Só não vou me torturar tentando colocar em ordem de preferência). Se você não está interessado na lista, pule os vídeos e continue lendo a resenha, mas já fica minha dica: esse livro não é para você! Para gostar de Alta Fidelidade tem que curtir todo o tipo de música e não se incomodar com as referências no meio do texto ;)

1. Eleanor Rigby, do álbum "Revolver"


2. When I'm Sixty Four, do álbum "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band"

3.Because, do álbum "Abbey Road"

4. Helter Skelter, do álbum "The Beatles", mais conhecido como "Álbum Branco"

5. Revolution, do álbum "Hey Jude"

Ah, vai. O Rob Fleming também ganhou uns poutinhos a mais comigo depois de fazer uma grande crítica a nossa sociedade do espetáculo. Em várias partes do livro, Rob se questiona se temos problemas em idealizar os relacionamentos e buscar eternamente pela felicidade ao extremo por causa dos filmes, músicas e qualquer outro coisa que retrate o ideal; ou se fazemos esses tipos de música, filme, etc porque sempre iremos buscar um ideal.

"Me parece que, se a gente coloca a música (e os livros, provavelmente, assim como filmes e peças e qualquer coisa que provoque sentimentos) no centro da existência, não consegue ter uma vida amorosa resolvida, pensar nela como um produto acabado. Tem que ficar cutucando pra mantê-la viva e agitada, cutucando e desenredando até que ela desmorone e a gente seja compelido a começar tudo de novo. Talvez vivamos, todos nós que passamos os dias absorvendo material emocional, num estado de alta intensidade, e consequentemente jamais consigamos estar simplesmente contentes: precisamos estar infelizes, ou absurda e apaixonadamente felizes, e esses são estados difíceis de se obter numa relação sólida e estável. Talvez o Al Green seja responsável por mais do que eu algum dia me dei conta." (p.166)

E sim, a capa que a Companhia das Letras fez é linda (mesmo eu não tendo entendido o que é exatamente a massa disforme que une a guitarra com a pessoa) e eu só comprei esse livro em português por causa dessa capa maravilinda! Porém, sou obrigada a fazer uma ressalva: não gostei da tradução. Tudo bem que a narrativa é em primeira pessoa e em tom coloquial, mas, poxa, precisa de "pros" e "vamos se ver", Christian Schwartz?

CONVERSATION

4 comentários:

  1. OI Babi,
    adorei a resenha! Ri muito... Adorei sua sinceridade e a seleção de músicas dos The Beatles. Gosto muito deles também. Também achei a capa linda! Beijos!
    www.viagensesquizofrenicasalua.blogspot.com.br

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  2. Não sou a maior fã de protagonistas idiotas. Sempre que eles aparecem, minha opinião sobre o livro acaba sendo a mesma que tenho sobre eles: chato!
    Mas gostei da resenha, ainda não conhecia esse livro! Também gostei das quotes que selecionou, mostraram que apesar de imbecil, o cara tem bom senso e isso já é meio caminho andado rss...

    Fiz a resenha de Bela Maldade, que vc pediu :)

    Beijooos

    sugarylemonade.blogspot.com.br

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  3. Gostei muito da resenha, ainda não conhecia o livro!
    beijos

    http://mudeeabuse.blogspot.com.br/

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  4. Eu amei, amei, amei sua resenha pra esse livro, foi a melhor que eu li até agora!!! Nunca li esse livro, mas já assistir ao filme e achei FANTÁSTICO, grande elenco e grande roteiro (recomendo). Fiquei com preguiça de ler o livro por causa disso, mas to revendo minha decisão agora.
    Não sou a maior fã de Beatles do mundo, tenho minhas desavenças com banda haha, mas coincidentemente você citou as músicas deles que eu escuto, principalmente ELEANOR RIGBY <3 <3 Adorei !!
    Beijos!

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